VISÃO POLÍTICA / POR QUE SER CANDIDATA
Soninha, qual é a sua visão política e o que você pretende se candidatando à Prefeitura de São Paulo?
Acho que a segunda parte da resposta ajuda a responder a primeira... O que eu pretendo, em primeiro lugar, é disputar a Prefeitura da cidade discutindo grandes temas, pensando a cidade a curto, médio e longo prazo.
Analisar honestamente as possibilidades de solução de seus problemas, sem nenhum constrangimento ou obrigação de falar bem disso ou daquilo, e mal deste ou daquele, isto é: posso reconhecer iniciativas bem-sucedidas em governos anteriores, independentemente do partido, tanto quanto falar de boas práticas em qualquer outro lugar do Brasil ou do mundo.
E sem prometer ser a sabe-tudo, resolver tudo, ter todas as boas idéias do mundo, mas assumindo o compromisso de discutir incansavelmente o que for mais complexo, mais polêmico, com especialistas e os diretamente envolvidos (por exemplo, soluções de habitação são sempre complicadas, têm muitas inter-relações - com meio ambiente, trabalho, renda etc.).
Precisamos criar ou fazer funcionar muitos instrumentos de participação e controle, descentralizar a gestão, respeitar as peculiaridades dessa cidade imensa. Meu objetivo é a cidade, e tenho certeza que a administração tem de estar acima de disputas partidárias. O que não exclui uma visão política da administração, mas a política é meio e não fim.
Sobre a "visão política" propriamente dita: sou de esquerda. Não acredito no mercado como promotor de desenvolvimento e justiça; na competição como melhor forma de organizar a sociedade.
Sei que não podemos suprimi-lo, extinguir o capitalismo, mas o Estado tem o dever de corrigir distorções, combater o desequilíbrio, oferecer oportunidades, promover modos de colaboração, cobrar responsabilidades. Incentivar determinadas posturas, onerar ou punir outras.
A administração municipal tem uma responsabilidade e um poder imenso nesse sentido, ao mesmo tempo em que é muito limitada em outros - infelizmente, ficamos dependentes de uma política econômica sobre a qual temos pouco poder de interferência (o que fazer quanto aos juros e a taxa da câmbio, além de espernear?).
Enfim, não é fácil explicar "visão política" em uma resposta, mas acho que ela fica evidente na análise do meu mandato, da minha postura diante de determinados temas da política e da sociedade - e faço questão de deixar sempre muito claro como eu ajo e penso, mesmo que isso tenha conseqüências arriscadas em termos eleitorais. É muito fácil acompanhar meus passos, pela internet e em entrevistas. Creio que isso também seja uma demonstração de que tipo de política eu sou.
A decisão em disputar um mandato no Executivo tem alguma relação com fato de não você não ter conseguido implementar várias de suas idéias no Legislativo?
Mais ou menos. Algumas coisas eu não conseguiria fazer no Legislativo porque não são da nossa alçada. Não é uma frustração pessoal. São atribuições diferentes. Eu amei esse tempo que eu tive e que eu ainda tenho aqui como parlamentar, com tudo que teve de sacrificante e frustrante. É sensacional essa experiência de ser parlamentar na Câmara Municipal de São Paulo, apesar de tudo o que me queixei e ainda vou me queixar até o fim do mandato. A frustração é inevitável e, às vezes, é surpreedente. Mas é diferente. O Executivo tem um raio de ação maior, mais direto, mais palpável. Muita coisa que a gente consegue aprovar no Legislativo, através de projeto de lei ou de inclusão no orçamento, quem vai agir de fato é a outra esfera. Não é que eu esteja procurando um consolo para uma frustração pessoal. É só vontade de ser útil de uma outra forma e em um outro lugar.
Qual o maior desafio da cidade de São Paulo?
São Paulo é um (mau) exemplo de um dos piores defeitos do Brasil: a desigualdade. É a cidade mais rica e mais pobre da América Latina. Tem todos aqueles extremos que estamos cansados de conhecer - uma das maiores frotas de helicópteros do mundo e uma extensão de metrô ridícula para uma metrópole... Um número impressionante de cirurgias plásticas e tanta gente perdendo dentes por falta de cuidado. Milhões de celulares e tão poucos livros por habitante; tantas faculdades e tamanha deficiência na escolarização de adolescentes...
Reduzir essas distâncias é particularmente difícil pela combinação de alguns fatores muito presentes em nossa cultura nos últimos tempos: o consumismo como método para alcançar a realização (ter algo para ser alguém); o imediatismo (endividar-se em vez de poupar); a tendência a colocar o patrimônio, conforto e segurança individuais muito acima do interesse coletivo (vide insulfilmes e "bairros privados"); o estresse e agressividade decorrentes disso tudo.
Para completar, a total descrença na política e políticos, fazendo com que toda ação do poder público seja vista com desconfiança e com que poucos estejam dispostos a abrir mão de qualquer coisa em nome do bem-estar geral. Desconfiamos uns dos outros – partidos, governos, empresas, sindicatos, ONGS, movimentos sociais, mídia, indivíduos... Pior que isso: às vezes sabotamos uns aos outros em nome de nossos "objetivos estratégicos". Essa resistência - a baixar a guarda e contribuir, participando generosamente da cidade – talvez seja o maior problema a ser enfrentado pelo próximo governante.
A ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL
Primeiramente, como vê o governo do nosso atual prefeito? Quais são os pontos positivos e negativos na prefeitura de Gilberto Kassab?
Acho que tem qualidades. Alguns dos pontos positivos: a corajosa lei Cidade Limpa, uma idéia que muitos urbanistas defenderam por muito tempo mas nunca tinha havido uma ação tão decisiva para diminuir a poluição visual na cidade; a atuação na área ambiental, com o investimentos em Parques Lineares (ao longo de córregos) e ações para desocupação de áreas de manancial, entre outras coisas; na área da Cultura, a recuperação das bibliotecas, o Centro de Juventude da Cachoeirinha e a Virada Cultural. A reestruturação de algumas carreiras do serviço público, como na Educação, e a conclusão da primeira fase do Expresso Tiradentes.
Mas a prefeitura não conseguiu resolver alguns gargalos muito sérios: o congestionamento nos corredores de ônibus e a má qualidade do transporte em alguns lugares, especialmente na Zona Sul; a coleta seletiva, que não avançou quase nada; a demora para se conseguir marcar uma consulta ou exame na rede de Saúde; e a oferta de saídas para a população de rua.
Quais são os principais problemas da cidade de São Paulo? Quais as primeiras medidas a serem tomadas para evitá-los?
Se nós atacarmos ao mesmo tempo duas áreas principais, ajudamos a diminuir a pressão sobre várias outras. Essas áreas são a de mobilidade (trânsito, transporte e locomoção não-motorizada) e do uso e ocupação do território - basicamente, a distribuição de moradia e trabalho pela cidade. Não podemos conviver com tanta desigualdade.
No centro da cidade, temos toda a infra-estrutura urbana instalada, concentração de trabalho e até equipamentos públicos com capacidade ociosa - como escolas com poucos alunos. Na periferia (e nas cidades vizinhas), temos verdadeiros bairros-dormitório, onde as pessoas só tem a moradia e nada mais. Precisamos repovoar o centro da cidade e promover o desenvolvimento sustentável nas periferias.
Com esses dois movimentos, você diminui a pressão por equipamentos na periferia, melhora o trânsito, melhora a saúde... Para fazer esse repovoamento do centro, há vários instrumentos do Plano Diretor Estratégico; é preciso regulamentá-los e colocar logo em prática.
Quais são as suas pretensões ao assumir a Prefeitura da cidade?
Fazer uma gestão que pensa no macro, nas estruturas, nos sistemas, sem jamais esquecer dos "detalhes" - do impacto na vida de cada pessoa. E atacar rapidamente os problemas urgentes, as situações insuportáveis (esgoto a céu aberto, por exemplo) sem esquecer do planejamento para daqui a 10, 20 ou 50 anos. E diminuir todas as distâncias na cidade: entre moradia e trabalho; entre pobres e ricos; entre a população e o poder público.
Como enxerga a situação atual da violência em São Paulo? Qual o principal fator que faz com que o índice de violência nesta cidade aumente?
São vários fatores combinados, mas um dos principais é a urbanização deficiente, que fez com que houvesse enormes bolsões de miséria. Lugares com baixíssimo atendimento das necessidades e direitos fundamentais, onde, na ausências das instituições, para a vigorar a lei do mais forte; onde o crime passa a ser um modelo de sucesso financeiro e de afirmação; onde as perspectivas de realização de sonhos e projetos de vida são muito diferentes de outros lugares da cidade.
Nós precisamos levar urbanização a todos os lugares da cidade e oferecer oportunidades, perspectivas e a chance de um projeto de vida. Precisamos oferecer respeito à vida para ensinar respeito à vida.
Moradores da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, enfrentam grandes problemas no atendimento público hospitalar com o crescimento de doentes infectados pelo mosquito da dengue. Como se encontra a questão da saúde na cidade de São Paulo? O atendimento público de São Paulo suportaria a quantidade de pacientes com dengue encontrados no Rio de Janeiro?
É sempre difícil lidar com uma situação de epidemia, mas não tenho dúvidas de que o sistema de saúde no Rio é pior do que o nosso - mais desorganizado, mais atingido por desonestidades e desvios. A Saúde em São Paulo tem problemas sérios também; como disse, a demora para se conseguir uma consulta com um especialista ou para a realização de um exame diagnóstico é inadmissível. Em alguns lugares, faltam Unidades de Saúde, mas em outros faltam profissionais nas unidades.
Houve avanços na informatização do controle de distribuição de medicamentos e marcação de consultas, mas ainda há muitos "defeitos" no atendimento ao público. E existem áreas nas quais a carência é ainda maior - na Saúde Mental, por exemplo. A rede de atendimento precisa aumentar muito.
Quais são os planos na área da educação? Conforme dados do Saresp 2007, os alunos avaliados das escolas públicas de todo o Brasil sofrem grande dificuldade no aprendizado de matérias como a matemática. O que a prefeitura pode promover para a ampliação do conhecimento, na área de exatas, dos alunos e ter melhor rendimento nas matérias em geral oferecidas nas escolas públicas da cidade?
Precisamos primeiro garantir o básico: que todos os alunos da rede tenham o número correto de aulas, com professores comprometidos com a qualidade no ensino, bem preparados, bem remunerados e com estrutura de apoio adequada - que vai das instalações da escola à segurança no seu entorno. E tem de haver a avaliação dos profissionais segundo o seu desempenho, com gratificações para aqueles que atingirem as metas estabelecidas.
A participação dos pais via Conselho de Escola também é importante e deve ser incentivada. O currículo deve ser enriquecido com atividades extra-classe, como acontece nas boas escolas particulares. E é necessário montar um programa forte de recuperação, com a parceria de entidades se for o caso, para corrigir a defasagem que já existe entre os alunos que estão com um aproveitamento muito menor do que seria o esperado em suas séries.
Existem planos de ampliação do mercado de trabalho para estudantes do ensino médio, superior e aprendiz caso seja eleita prefeita da cidade de São Paulo?
Embora a prefeitura tenha alcance limitado quando se trata de gerar empregos - a conjuntura da economia nacional é muito determinante - há iniciativas que podem ser tomadas pela administração. Nós pensamos em criação de vagas para estágiários e aprendizes na própria administração, e também em mecanismos de incentivo para o setor privado. Por exemplo, a concessão de incentivos fiscais para quem oferecer postos de trabalho para jovens recém-formados, em determinada região da cidade ou em determinada atividade. Ou a exigência de adesão à Lei do Aprendiz por empresas que venham a ter contrato com a administração pública.
Que marca gostaria de deixar de sua gestão, caso seja eleita?
Gostaria de deixar duas marcas. A primeira seria uma melhora na vida de pedestres e ciclistas. Hoje existem 300 mil pessoas, no mínimo, que já utilizam a bicicleta como meio de transporte. São 300 mil pessoas entregues a essa selva - e morre ciclista pra cacete. Pelo preço da Ponte Estaiada, que acabaram de construir, você faz um sistema cicloviário de 200 quilômetros na cidade. A bicicleta não polui, não aumenta o efeito estufa, não congestiona a rua, proporciona atividade física e melhora a relação das pessoas com o entorno.
Qual seria a segunda marca?
O fortalecimento da relação das pessoas com o poder local. Tem que fortalecer as formas de participação popular que já existem - como os conselhos de escola, de segurança, de saúde - e criar outras, com representantes eleitos pela comunidade. É o que se chama de ética da co-responsabilidade. O discurso que se ouve há muitos anos é: cobre o político no qual você votou. Só isso? É preciso mais. É preciso saber o que você vai fazer pela cidade na qual você vive.
Você acredita que pode ganhar ou está se cacifando para o futuro?
Entrei com vontade de ganhar. Mas sei ler os gráficos das pesquisas eleitorais. Por outro lado existe a possibilidade de influenciar o debate eleitoral e até os rumos da próxima administração.
Você vem afirmando que entra com poucas chances na disputa pela prefeitura paulistana. Então, para quê disputar?
Na verdade, ver pouca chance é só uma análise realista. Não é um desejo. É claro que eu vou disputar como se eu pudesse ser a prefeita. E se eu ganhar a eleição? Ótimo! Não é como em algumas eleições que as pessoas entram para marcar posições, apenas para fazer o nome, pensando numa outra disputa daqui a dois anos. Entro para disputar e a disputa tem um grande valor em si. É diferente de você ter obsessão para vitória. É claro que disputo uma eleição querendo ganhar, não tenha dúvida. Mas a obsessão pela vitória leva a uma porção de escolhas erradas já na campanha eleitoral porque você já fica pensando que para viabilizar seu nome você precisa dessa aliança, desse reduto, precisa desse campo. Então, você vai agregando várias coisas a sua campanha só para ganhar e você vai diluindo sua proposta, você vai perdendo identidade. Vai deixando as coisas meio confusas. Essa é que é a diferença. Eu já me vejo com um puta tesão assim nos próximos meses, discutindo programa de governo.
Lá no fundo, alimenta a esperança de uma grande virada?
Surpresas acontecem. Ninguém acreditava na Luiza Erundina quando ela se elegeu prefeita. E lá nos Estados Unidos? Pouca gente conhecia Barak Obama.
A SAÍDA DO PT
O que pesou na escolha do PPS como partido a ingressar depois de uma longa temporada no PT?
Desde a primeira abordagem, eles (dirigentes do partido) fizeram uma proposta muito sedutora pra mim que é a garantia de independência. A frase que eu ouvi era, literalmente, "venha ser independente com a gente". Porque a maior dificuldade, em qualquer lugar em que eu estiver, é de ser obrigada a defender o que eu não acredito, entendeu? Ou de ser obrigada a me opor ao que eu concordo.
Eu vejo que, muitas vezes, num partido, é isso que esperam de você: que você deixe uma parte de suas convicções na chapelaria, na entrada e aí, em nome de um projeto maior para daqui a dois anos, você vota contra uma proposta que, em princípio, você seria favorável, sabe?
Então, me conhecendo muito bem, porque acompanharam esse meu tempo aqui de mandato na Câmara, disseram que o que em outros lugares seria problema, no PPS seria muito bem vindo, porque a idéia é debater, a idéia é ter posições claras, fortes. "É de problemas como você que a gente precisa", garantiram. Achei muito legal.
Que "problema" você era no PT e que o PPS precisa?
O próprio presidente do partido, numa coisa já mais específica, disse o quanto ele acha que algumas posições que defendo são muita caras ao partido, muito importantes, uma discussão mais progressista até de alguns temas polêmicos como drogas e aborto.
Ele disse que ninguém no partido é obrigado a concordar com isso, ou seja, provando aquilo que me prometeram: que as pessoas têm o direito de ter idéias diferentes. Mas que a posição do partido é a favor da descriminalização do aborto, por exemplo. Então, sabendo que eu não fujo de temas controvertidos porque isso pode pegar mal pra mim ou coisa parecida, que é uma qualidade que eles desejavam ter com eles. Muito legal.
A conversa nem começaria, caso não tivesse socialista no nome. Claro que eu só cogitaria entrar num partido que fosse de esquerda, para começar. Aí, finalmente, o que foi decidido foi a proposta de disputar a Prefeitura de São Paulo e poder colocar nossos temas, fazendo nosso debate, com uma outra linguagem, com outro formato, diferente das outras campanhas.
Você guarda alguma mágoa do PT ou do presidente Lula?
Mágoa, não! Jamais usaria a palavra mágoa. Aliás, acho que é um problema sério as pessoas tornarem as coisas pessoais, sentimentais, sabe? Não é que não tenha paixão no que a gente faz. Tive milhões de divergências no PT, alguns quebra-paus mais sérios, às vezes, decepções e incoerências, mas sem mágoas, sem carregar ressentimento. Não vou virar a inimiga número um do PT. Só que vou dar minha batalha num lugar legal.
Por que, enfim, a mudança de partido?
Desde que o PT e o governo Lula começaram a ter problemas mais sérios, acusações de desvios graves de conduta, eu fiz parte de um grupo, dentro do PT, que questionava esses desvios e insistia que, se era verdade que "todo mundo faz" coisas assim (Caixa 2, negociação de votos em troca de "favores"), a gente não podia achar normal fazer também.
Eu também questionava algumas escolhas políticas, que não têm a ver com corrupção mas mostram uma distância muito grande do que a gente sempre defendeu. Política de alianças, por exemplo. Vale tudo para ganhar uma eleição - até aceitar o apoio do Maluf?? Como assim???
Enfim, é até difícil enumerar a quantidade de discussões e brigas que a gente teve - até um ponto em que ficou claro, para mim, que PT não queria mais ser o que era antes... Inflexível com algumas coisas das quais vc realmente não deve abrir mão!
O PPS me procurou admitindo que, como todos os partidos, também tem problemas e precisa melhorar. E acreditando que eu sou uma "chata" que cairia bem no partido agora, sendo muito exigente com ele mesmo.
Você é filiada a um partido pequeno, com pequena representação na Câmara. Não terá que fazer muitas concessões para governar?
Não há como ignorar que uma parte do Parlamento só irá apoiar o governo se os seus pedidos forem contemplados - e isso não tem nada a ver com o mérito das propostas. Eu acho possível dialogar, desde que as reivindicações atendam ao interesse público. Se o partido quer indicar alguém para um cargo público em troca do seu apoio, é preciso que o indicado tenha competência. Essa política do “dando que se recebe” está muito arraigada no País, mas tem de ter um limite. O Lula perdeu uma boa oportunidade de escancarar esse esquema quando se elegeu pela primeira vez, com grande apoio popular e simpatia da mídia. Talvez tivesse empacado em algumas realizações, mas teria peitado esse costume ruim. Se você cede, não adianta depois culpar o chantagista.
No jogo político, acha possível vereadores do PSDB apoiarem as propostas de um prefeito do PT, considerando a inimizade entre os dois partidos? Ou vice-versa?
Acho. Aliás, esse foi um dos motivos pelos quais saí do PT. A nossa bancada tinha uma assessoria técnica muito boa, de alto nível, que fazia análises profundas dos projetos em discussão. Mas encerrada a parte técnica, do mérito, vinha a parte da estratégia política, em que se ignorava tudo o que tinha sido dito e alguém concluía: “Vamos votar contra.”
Quem dentro do PT tem as idéias mais diferentes de você?
Setia mais legal falar quem tem idéias mais parecidas... O Zé Eduardo Cardoso, o Paul Singer, o Carlos Neder, o Chico Macena (os dois últimos, vereadores do PT), o Nabil Bonduki (ex-vereador)... Para dar uma resposta mais "em bloco", podemos dizer que o grupo mais próximo da Marta, que esteve na base do governo dela e ficou mais próximo ao grupo conhecido como Centrão aqui na Câmara, é o grupo com o qual eu tenho mais divergências. Até porque foi com esse grupo que eu convivi mais durante o mandato.
Qual é a melhor parte de ser vereadora? E a pior?
A melhor parte é ser capaz de influenciar os rumos da cidade e efetivamente ser capaz de produzir melhoras na vida das pessoas - seja por meio de um projeto de lei, da divulgação de um direito, da fiscalização de um serviço, da promoção de um debate que esclareça as idéias, da influência sobre o Executivo para que tome alguma providência.
A pior é lidar com o desvio de finalidade: com as pessoas que estão na política ou procuram os políticos movidas a egoísmo, ganância ou vaidade; com as decisões políticas que não são tomadas em função dos interesses da sociedade, mas das ivalidades partidárias - como se a política fosse um fim em si, em que o mais importante é derrotar o adversário, custe o que custar.
TRÂNSITO / TRANSPORTE
Um dos principais temas desta campanha à prefeitura deve ser o caos no trânsito, que ameaça parar a cidade. Como pretende abordar o problema?
Há um fator cultural forte em torno dessa questão. O carro próprio é sinônimo de sucesso na vida. Existe uma publicidade pesada, além desse crédito maluco para comprar carro em 90 prestações. Não se fala mais em carro para a família, mas para cada pessoa da família. Fazer o quê? Todo candidato vai dizer que é preciso melhorar o transporte público. Mas não adianta colocar mais ônibus na rua sem planejamento. Veja o caso da Paulista: se você passar lá agora, vai encontrar o corredor de ônibus parado. O melhor seria reduzir o número de linhas e fazer os ônibus andarem. Em outros lugares, é preciso criar linhas.
E o metrô?
É caro e demorado. Deveria ter sido feito com mais agilidade nas últimas décadas. Hoje precisamos de uma solução combinada, com mais metrô, mais obras viárias. A questão do trânsito é um mundo inteiro, que envolve um planejamento muito amplo. Temos ao nosso redor bairros e cidades da região metropolitana que funcionam como dormitórios, com baixíssima atividade econômica e equipamentos públicos e privados deficientes. Isso obriga as pessoas a se locomoverem para a região central de São Paulo: um êxodo diário de milhões de pessoas.
O que acha da idéia de reduzir o tráfego na área central da cidade com o uso do pedágio urbano?
Sou a favor. Numa cultura onde o automóvel é supervalorizado, as pessoas não usam seus veículos apenas por necessidade ou falta de alternativa. Usam porque estão acostumadas, porque não se dispõem a andar 200 metros até o ponto de ônibus, a esperar e a viajar ao lado de outras pessoas. Apóio mecanismos que desestimulem o uso do carro.
Não acha que é preciso primeiro melhorar o transporte coletivo, para depois restringir a circulação?
Os políticos falam isso porque têm medo da reação das pessoas. O pedágio urbano, porém, não é uma invenção política: é uma questão técnica. Ele desestimula o uso do automóvel onde você não pode se queixar da falta de oferta de transporte coletivo, que é exatamente o caso da região central.
BICICLETA
Quando você começou a andar regularmente de bicicleta e o que te fez tomar essa decisão?
Comecei a querer andar de bicicleta há pouco tempo, quando fui convencida de que era mais fácil do que me parecia... Mas só tomei a iniciativa para valer quando roubaram a minha moto e decidi incorporar a bicicleta como uma das alternativas de transporte (junto com ônibus, metrô, táxi e o meu próprio carro).
Agora já comprei outra moto, mas me obrigo a sair de casa de bicicleta pelo menos uma vez por semana, por quatro motivos: porque é meu dia de contribuir com o trânsito (ocupo menos espaço) e a qualidade do ar (bicicleta não polui!); é um modo de fazer atividade física (sou meio sedentária...); é o melhor jeito de verificar as condições oferecidas para os ciclistas na cidade; e, por último: porque em algumas situações chega a ser mais rápido e é mais gostoso.
Para quais lugares você vai de bicicleta? Qual lugar você mais gosta de ir? Qual a diferença entre ir de bicicleta e e ir de carro? O que é melhor? Há algo pior?
Vou para o trabalho, que não é tão longe assim da minha casa (cerca de 4km); vou para algumas reuniões e consultas médicas, qdo dá para pedalar até o destino ou combinar com o metrô (minha bicicleta é dobrável e pode embarcar em qualquer dia da semana); às vezes vou ao cinema ou à casa de algum amigo. De bicicleta, você repara muito melhor no caminho, não tem nem comparação. Vê as casas, as árvores, as pessoas. Claro que também pode ser perigoso, pelas más condições das vias, a falta de estrutura para ciclistas... Pode ser tenso, porque muitos motoristas não respeitam, e cansativo. Mas também pode não ser! Às vezes você fica mais tenso no congestionamento... Pedalar é gostoso.
Por que, quando a gente é criança, andar de bicicleta é tão bom, mas quando a gente fica adulto o bom é carro?
Boa pergunta! A gente é bobo e compra a idéia, vendida por muitos, de que não dá para ser feliz sem um automóvel... E fica preguiçoso e mal acostumado. Esquece o prazer de se deslocar por aí com o próprio esforço, em contato com o mundo externo...
Em países mais desenvolvidos que o nosso, como França ou Holanda, em que mais pessoas têm dinheiro para comprar carro, a bicicleta aparece mais que em nossas grandes cidades? Por que?
Provavelmente porque aqui a gente tem mais forte a idéia do automóvel como símbolo de sucesso, realização, "status". A gente não usa o carro só por necessidade de locomoção, mas também como forma de afirmação.
O que se pode fazer para mudar essa mentalidade?
Em parte, precisamos cultivar outros valores, de modo que as pessoas não dependam tanto da posse e exibição de um objeto, seja ele qual for, para se sentirem felizes e realizadas... E demonstrar que andar de bicicleta (ou de ônibus e metrô) não só não é motivo para vergonha, muito pelo contrário, como pode ser vantajoso e prazeroso. Claro que é preciso melhorar as condições do transporte público e a infra para bicicletas, mas também precisamos fazer campanhas bacanas para incentivar o seu uso. (Na Europa eles também fazem isso).
Muita gente julga menor a questão das bicicletas em meio aos problemas mais "sérios" do transporte público, como a melhoria das estradas ou das ferrovias. O que você acha disso? Porque a questão da bicicleta como transporte precisa ser retomada?
Não há dúvida que o transporte coletivo deve ter prioridade. Mas, pra começar, uma coisa não impede a outra - o investimento necessário em obras viárias para bicicletas é muito, muito inferior aos investimentos nos outros meios de transporte e circulação. E uma bicicleta pode, efetivamente, significar um veículo motorizado a menos no trânsito - o que significa mais espaço na rua, menos poluição, menos gases de efeito estufa (não é à toa que cientistas do Painel de Estudos de Mudanças Climáticas da ONU recomendam o investimento nas bikes!) e a possibilidade de uma convivência mais humanizada.
A bicicleta pode, em muitas situações, substituir um automóvel e o seu uso ser integrado aos transportes coletivos, com a instalação de bicicletários nas estações ou a possibilidade de entrar com ela nos trens ou metrôs. Essa integração de vários meios é a melhor solução para as grandes cidades.
Você acredita que, num mundo tão "corrido" quanto o nosso, o Brasil consiga seguir o exemplo de alguns países e comece a preferir a bike ao invés do carro?
Acredito. Em algumas cidades do interior e do litoral as bikes já são muito usadas cotidianamente - até em uma grande capital como o Rio de Janeiro, que tem uma boa estrutura nas praias da Zona Sul. E mesmo em São Paulo, cujo sistema viário ainda é tão hostil, mais de 300 mil pessoas se locomovem de bicicleta todos os dias. Se a infra melhorar (ciclovias, ciclofaixas, bicicletários nas estações de trem e terminais de ônibus, etc.), mais gente vai querer aderir, com certeza. É barato, é gostoso, não polui... E às vezes é até mais rápido!
Há planejamento político em São Paulo (e até mesmo em outras grandes cidades) quanto ao incentivo à bicicleta em vez do carro/moto, no sentido de diminuir o trânsito, a poluição e melhorar o condicionamento físico da população?
Está começando a haver... As iniciativas ainda são tímidas, mas muito maiores do que alguns anos atrás. Há ciclovias em construção; algumas estações de trem e de metrô têm bicicletários; o metrô e os trens metropolitanos deixam entrar de bicicleta no fim-de-semana... Além disso, tem o Dia Sem Automóvel no calendário oficial, para promover, digamos, um "mutirão" de conscientização. E já tem até medidas da iniciativa privada, como da Porto Seguro (São Paulo) e a Sulamérica (no Rio) - curiosamente, duas empresas que trabalham com seguros de automóveis...
MOTO
Qual foi a sua primeira moto, por que escolheu esse modelo e ainda usa essa mesma moto?
Não foi uma moto, foi uma Vespa... 86, vermelha, partida no pedal. Ela era do meu irmão, que já não era o primeiro dono! Fiquei com ela de 1990 até o ano passado.
Qual sua moto atual, marca, modelo e ano? (se tiver mais de uma, qual é a sua favorita e por quê?)
Tenho uma Honda Bros (NX 150), preta, 2006.
Por que você passou a usar moto. É por causa do problema de trânsito ou algum outro motivo? O uso é mais voltado para o trabalho ou para o lazer?
Por causa de trânsito e distância. Eu morava e trabalhava em Santana (Zona Norte) e estudava na USP (Sudoeste). De ônibus, chegava a levar três horas para estar lá. De carro, uma hora... O trânsito já era insuportável. O único jeito de eu conseguir continuar estudando era ter uma moto. Uso quase todo dia, é meu principal veículo.
Pode contar alguma história ou acontecimento inusitado com sua moto ou scooter? Ela tem alguma característica diferente ou inusitada?
Quando eu tinha a Vespa, ela volta e meia me deixava na mão... E quebrava nos lugares mais inóspitos. Às vezes eu não tinha escolha, largava ali mesmo e chamava o resgate no dia seguinte - ou até dois dias depois. Mas Vespa, felizmente, não era objeto de desejo de ladrão. A ponto de duas ou três vezes a polícia ter me procurado em casa: "A senhora teve uma Vespa roubada?". "Xi, levaram?". "Sim, mas nós localizamos. Foi abandonada ao lado da linha de trem" - que era onde eu tinha deixado!
ASSUNTOS POLÊMICOS
MACONHA
Você já admitiu ter fumado maconha. Isso lhe trouxe problemas?
Sim. Até hoje, em alguns lugares, ainda sou apontada como a maconheira. Mas não me arrependo do que disse.
Isso mudou algo na sua carreira? Você pode comentar sobre? Ainda fuma?
Parei de fumar já faz alguns anos. A visão que as pessoas têm dos usuários é muito distante da realidade... Por isso, naquela discussão sobre a possível mudança da lei, era importante tentar mostrar que maconheiro não é "tudo bandido" ou "tudo doente", como algumas campanhas fazem parecer. O que mudou na minha carreira é que, infelizmente, muita gente só sabe uma coisa a meu respeito: "Sei, é aquela da maconha"... Mas também tem um lado positivo: muita gente deu valor ao fato de eu ter falado a verdade, mesmo que isso pudesse me prejudicar.
ABORTO
E quanto à proposta de descriminalização do aborto?
Apóio. Acho que isso não é assunto para polícia, delegacia e cadeia. É para ser tratado em outras redes, de saúde pública, educação. Isso não quer dizer que sou a favor do aborto. Pela minha prática religiosa - o budismo - não é admissível interromper o desenvolvimento de uma vida humana.
Eu já fiz um aborto, numa época em que tinha deixado de ser católica e ainda não havia encontrado o budismo. Para mim a vida humana é um privilégio - porque o homem tem o poder de refletir sobre suas ações e não viver impelido apenas pelo instinto. Impedir o desenvolvimento dessa vida é uma agressão. Mas a lei que tenta impedir o aborto mais agride do que protege a vida. As conseqüências de abortos clandestinos estão entre as maiores causas de mortalidade materna no Brasil.
GAYS
São Paulo tem a maior parada gay do mundo. Como vê as reivindicações desse movimento?
A melhor frase dos militantes é: “Nem menos, nem mais: direitos iguais.” Você não precisa aceitar, concordar, mas deve respeitar os direitos dessas pessoas. Direito ao trabalho, à educação, a freqüentar os lugares públicos, a andar de mãos dadas com o namorado na rua sem correr riscos de agressão. O combate à discriminação tem de ser política pública.
Quais são suas propostas para a comunidade LGBTI como candidata à prefeita?
Muitas das coisas que a gente defende são de esfera federal, então, alguns direitos básicos pelos quais eu luto estão fora do alcance. Mas dá pra fazer política municipal de igualdade. No combate à discriminação, por exemplo, queremos tratar do tema na escola. Primeiro com os professores e demais servidores, depois com os alunos e suas famílias. Para isso, é preciso elaborar um programa com uma metodologia que inclua oficinas, seminários e publicações cuidadosas de combate à discriminação.
É preciso também fazer campanhas educativas na mídia para promover a inclusão. Porque hoje existem pessoas que não conseguem continuar seus estudos por causa da perseguição, do deboche e até mesmo da ameaça física.
Temos que garantir o respeito à diversidade no ambiente escolar. Esse drama escolar é muito observado no meio das travestis, por exemplo. Eu conheço gente que saiu da escola, principalmente no segmento das travestis e transexuais, e hoje não tem como voltar a estudar nas turmas de aprendizado de jovens e adultos oferecidas pela prefeitura por meio do EJA (Ensino de Jovens e Adultos). É preciso promover decisivamente a inclusão de transexuais e travestis que deixaram os estudos por enfrentarem preconceitos.
Como fazer isso?
Promovendo a diversidade, o olhar respeitoso, solidário e generoso para todas as formas de orientação sexual. Um instrumento bem legal para isso é a Cultura, promover mostras de filmes, de peças de teatro e festivais literários de temática homossexual. Hoje em dia existem iniciativas do tipo, mas privadas. Isso deve ser feito como política pública também, a prefeitura também pode promover isso. Tem a área de esportes também, que pode fazer isso com idéias como, por exemplo, os Jogos da Diversidade (realizados em 24 de maio). Temos que incentivar e manter essa prática.
Esse movimento pode começar dentro da própria prefeitura.
Claro, com os servidores do município de modo geral, fazendo um programa de combate à discriminação e respeito à diversidade, principalmente para quem faz atendimento ao público.
Na rede de saúde, por exemplo, uma boa idéia é implantar unidades de saúde com atendimento mais especializado, mas sempre garantindo que em qualquer outra unidade todos sejam atendidos da mesma maneira.
Um passo importante é determinar o direito da pessoa fazer seu registro no sistema com o nome pelo qual ela se identifica. Queremos que essas pessoas tenham uma vida normal na sociedade. Para uma Juliana, ser chamada de João Pedro na hora do atendimento pode ser humilhação, são detalhes que fazem a diferença.
Outro ponto importante está na área de assistência e desenvolvimento social. Os LGBTIs são uma população vulnerável, sujeita à violência. No caso das travestis que fazem programa na rua e dos gays que vivem em situação de rua complica ainda mais.
Eles ficam em condições ainda piores do que as dos outros gays, também discriminados. Um exemplo é na hora de conseguir vaga em albergue público, é importante garantir vaga para todos, independente da orientação sexual de cada um.
E como tirar essa população da rua?
Elaborando programas de capacitação, de geração de emprego e renda. Conheço várias travestis que não querem fazer programa, querem ser recepcionistas, secretárias, professoras, advogadas.
Defendo o fomento à criação de cooperativas de travestis de prestação de serviços em outras áreas, organizar esse grupo para ele ter mais força nessa questão. Mas é preciso também oferecer atendimento terapêutico aos LGBTIs. Vivemos em uma cidade cheia de problemas de equilíbrio mental, são milhões de neuróticos, inclusive eu, eu pago terapia (risos). Vivemos sob muita pressão, com medo por vários motivos. Nos homossexuais, o medo é dobrado por causa do preconceito, das agressões e perseguições, onde tem que ter uma medida ostensiva de segurança para esses casos, com punições rigorosas.
Esse auxílio terapêutico seria no sentido de ajudar o homossexual a sair do armário, assumir sua orientação sexual para a família. É necessário promover um equilíbrio emocional, oferecer terapia para que eles se aceitem melhor, porque existem várias situações de conflito, estresse e insegurança muito fortes nesse momento de descoberta.
Quais ações efetivas a prefeitura pode fazer para combater o preconceito?
Pode-se criar mecanismos na prefeitura para, por exemplo, punir estabelecimentos onde acontece discriminação por orientação sexual. Eu tenho, inclusive, um projeto de lei em trâmite na Câmara que diz justamente isso.
O poder executivo pode fazer isso por iniciativa própria. Não é mandar fechar o estabelecimento, porque isso gera desemprego, mas o lugar tem que responder por essa falta de respeito. Funcionaria dando uma advertência na primeira infração para ele tomar alguma medida, na reincidência já é multa, se ele fizer de novo, uma multa mais pesada, isso até o fechamento do local por uma semana.
O correto é fazer uma coisa progressiva, para não penalizar 20 que perdem o emprego por causa de um. Podemos fazer também um certificado de bom tratamento, pessoas diferentes, mas tratamento igual. Isso pode ir parar na página da SPTurs como uma página especial para esses estabelecimentos amigos da diversidade.
No turismo tem muita coisa a ser feita. Em São Paulo, temos um turismo forte de gastronomia, compras e cultura, é ótimo incentivar essa boa acolhida do público LGBTI, incentivar os estabelecimentos não só no fim de semana da Parada, mas também ao longo do ano. Inclusive, dou o maior apoio à Parada, ela está incorporada na vida da cidade, é preciso que a prefeitura continue apoiando, dando espaço, suporte institucional de tráfego e segurança, promover, divulgar. É um evento que tem um caráter de manifestação política e não partidária, em defesa de respeito, de igualdade e garantia de direitos.
Como suas propostas foram definidas? Você observou o quê para decidir por elas?
Defini essas propostas com a minha vivência e a partir das demandas da comunidade LGBTI, as pessoas foram me chamando a atenção para alguns problemas que eu não tinha tanta noção que existiam. Eu também fui aprendendo muitas coisas com o tempo. Por exemplo, as travestis não eram um grupo que eu conhecia bem, lidava bem, não sabia bem como atuar com elas. Elas me ensinaram, me chamaram atenção para a dificuldade que enfrenta quem não quer fazer programa, quem quer trabalhar em outros lugares que não as ruas. Então juntou a demanda concreta de quem está na minha frente com a minha vivência.
Fui aprendendo muito com a militância, com os movimentos. Você tem que perceber que vai precisar aprender a vida inteira, tem que lembrar que, como você tem que aprender, outras pessoas também precisam. Os parlamentares devem participar mais disso, não ficar com medo de perder eleitorado. Mas tem que ter paciência para que eles aprendam, explicar porque não é correto dizer opção sexual, levar isso para a vida deles. A gente sempre tem o quê aprender.
Na sua opinião, qual é o papel de um prefeito para com a comunidade LGBTI?
O dever de um prefeito é ver a população como um todo. As leis, embora tenham lacunas, prevêem que as pessoas têm direitos iguais, independente de raça, sexo, crença ou orientação sexual. É dever de um prefeito, seja qual for sua convicção pessoal, assegurar que todos tenham os mesmos direitos.
Sabendo que em função do preconceito, discriminação, conceitos distorcidos e noções equivocadas acontece a violência, que pessoas vivem sob ameaças, é dever do governante combater a violência, assegurar a segurança, dar oportunidade igual para todos serem felizes. É um dever dele, mesmo que o governante não concorde com a homossexualidade, que ache um erro, um desvio. Ele pode achar, mas isso não dá a ele o direito de desrespeitar e ignorar o desrespeito, principalmente o prefeito, ele não pode não fazer nada para combater isso.
Qual a sua relação com o movimento gay? Como aprendeu a respeitá-lo?
Essa relação vem desde sempre, eu aprendi respeito em casa, minha mãe nunca deixou a gente discriminar alguém, torcer o nariz por ser homossexual, negro, português, alemão, mineiro, baiano. É desde cedo que se ensina. Ninguém nasce racista, o preconceito se aprende, é uma coisa que se ensina, às vezes até sem perceber, sem querer.
Sem dúvida é preciso ensinar as pessoas desde pequenas a respeitar umas às outras, independente de gostarem ou não do jeito da outra pessoa, do jeito que ela anda, de quem ela gosta. A criança tem que saber que é errado desrespeitar os outros. Por isso bato na tecla de ensinar isso na escola, por meio da educação.
Mas você pode enfrentar dificuldades para colocar esses planos em práticas, como vereadores oposicionistas que podem trancar a votação dos projetos.
Sim, vai haver alguma dificuldade para fazer, mas o importante é que isso está amadurecendo. Por exemplo, temos hoje dentro da prefeitura a Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual (CADS) e o Centro de Referência da Diversidade (CRD), isso mostra que é possível arar a terra dura, mesmo tendo ainda muita terra dura que não está disposta a deixar frutificar a idéia do respeito.
JUVENTUDE
Como será o futuro do jovem atual?
Os jovens costumam levar a fama injusta de serem os menos interessados em política. Geralmente comparam os de hoje com os do anos 60 para concluir que aqueles eram engajados e os de hoje são alienados. Acho injusto. Os jovens são os mais interessados, os que mais se perguntam o que eu posso fazer e como. E nos oferecem a idéia de outras forma de organização e de militância. O futuro do jovem é construir cada vez mais outras forma de engajamento e de militância.
FIDELIDADE PARTIDÁRIA
O que acha da fidelidade partidária?
Acho que os partidos precisam ser fiéis a si mesmo, para começar. O troca-troca utilitarista é imperdóavel, mas algumas trocas são facilmente compreendidas.
MULHERES NA POLÍTICA
Você sofreu algum preconceito em ser mulher e apresentar um programa de esportes?
Ah, claro que sim, estranho seria se não sofresse! Teve gente que me mandou lavar roupa, voltar para o fogão - naturalmente, no momento em que fiz uma crítica ao seu time :o). Acontece. O preconceito é tão grande que tinha gente até que dizia: "Muito boa sua coluna. É você que escreve?". Agora já diminuiu muito.
Na sua opinião, por que em um país no qual mais de 50% do eleitorado é feminino, não há maior participação das mulheres em cargos públicos?
Em parte, por causa da tradição: não faz muito tempo que se admitiu que mulheres podiam votar e, principalmente, serem votadas. A imagem da política como algo masculino é muito mais antiga e ainda está muito cristalizada. Assim, para começar, você tem muitas mulheres que, mesmo sendo muito atuantes e exercendo papéis de liderança, não se vêem disputando um cargo eletivo. Ou seja, ainda é difícil ter candidatas em número significativo; os homens se oferecem em número muito maior. Some-se a isso a resistência de parte das eleitoras em confiar em uma mulher como sua representante e pronto: ficamos com 10% ou menos dos postos no Parlamento.
Você acha que a cultura brasileira não estimula o exercício do poder pelas mulheres? Por quê?
Acho que não; como eu disse, em parte é por força do costume, da tradição. Mulher na política ainda é uma idéia razoavelmente nova, e toda mudança de costume leva tempo para acontecer. Além disso, o papel "reservado" à mulher na sociedade modo geral é de um poder muito restrito, muito definido: sobre as crianças, por exemplo. Mulher pode ser mãe, professora, enfermeira, psicóloga... Mas o poder sobre outros homens, por incrível que pareça, ainda é meio tabu.
O que dificulta o envolvimento das mulheres em questões coletivas e na disputa por um cargo público?
Esses costumes e estereótipos que eu citei e questões práticas, como o fato de mulheres ainda acumularem muito mais a vida social, profissional e acadêmica com os os cuidados com a família do que os homens. Isso as torna menos disponíveis para uma empreitada desse tipo (e é uma senhora empreitada!)
Como você acha que a mulher é vista, perante a sociedade, estando ela no poder?
É uma visão meio ambígua. Por um lado, por estar na política e ser este um meio tão masculino, ela é vista um pouco como "heroína", isto é, alguém especial, valente, ungido com super-poderes (se é mulher está na política, só pode ser "f*dona"). Por outro, alguém que a qualquer momento pode ser tapeado, deixado para trás, porque continua sendo uma mulher e, por isso, mais fŕagil. Não sei se a famosa "sensibilidade feminina" é mais valorizada do que as qualidades que, supostamente, são mais masculinas...
Quais medidas poderiam ser adotadas para reverter o atual quadro feminino na política brasileira?
Não há nada melhor que aproximar a política das pessoas de modo geral, porque o grande problema hoje é o desinteresse, o desencanto, o desprezo. É difícil trazer novos quadros, porque quem está fora não quer entrar (e quem está dentro não quer sair!). Se for oferecida educação política para as pessoas, de modo que elas entendam o que é, como funciona, qual o papel e a importância da política, elas se sentirão mais interessadas e estimuladas a participar. Se a política for desmistificada, traduzida, tornada compreensível, se demonstrarmos que políticos não são "eles", personagens estereotipados e inamovíveis, mas sim qualquer pessoa que se disponha a tomar parte, poderá haver uma renovação e diversificação. E isso inevitavelmente incluirá as mulheres.
Você acha que o sistema de cota para mulheres, no qual obriga os partidos políticos a inscreverem, no mínimo, 30% de mulheres nas chapas, é eficiente? O que você pensa a respeito da obrigatoriedade de ter essa cota nos partidos políticos?
Todo sistema de cotas tem problemas; o que fazer se não houver mulheres suficientes para preencher a cota de candidatas, obrigar algumas a se candidatar contra a sua vontade? Mas todos são necessários, porque são a correção, na marra, de alguma distorção que não pode esperar décadas para ser resolvida. Não é uma correção perfeita, completa, mas ela força uma mudança mais rápida. Por causa da cota, os partidos têm de se preocupar em identificar, formar e estimular lideranças femininas – e, se não o fizerem, terão ao menos a obrigação de reservar um espaço para aquelas que tomarem a iniciativa de se apresentar como candidatas.
PASSADO, PRESENTE E FUTURO
Você é casada, tem filhos? Parece ser tão novinha!
Não estou mais casada e tenho 3 filhas: Rachel (24 anos), Sarah (21) e Julia (10).
Por que você quis entrar no mundo da política? O que te chama atenção nesse meio?
Eu sempre pensei em entrar, desde pequena. Acompanhava as discussões da minha mãe com o meu avô sobre ditadura, subversão, repressão, comunismo etc. super interessada, querendo entender e decidir de que lado eu estava. E como eu queria "mudar o mundo" - sonho infantil que ainda não abandonei... - achava que a política era um bom modo de tentar fazê-lo. Hoje o que me chama a atenção nesse meio é a quantidade de pessoas que entram com ideais e boas intenções e depois desistem deles... Não se tornam desonestas, mas não se insurgem contra a desonestidade como deveriam!
Por que exatamente o título "Jornalista Amiga da Criança" aplicado a você?
É um título que a Fundação Abrinq e a ANDI - Agência de Notícias dos Direitos da Infância - concede todo ano a jornalistas que, na avaliação deles, se destacaram na cobertura e defesa de direitos da criança e do adolescente. Pelo meu trabalho no Barraco MTV, um programa de debates que eu fazia, eles me concederam esse título. É um reconhecimento do trabalho e, ao mesmo tempo, uma renovação do compromisso com essa pauta.
Além da candidatura, quais são seu planos e projetos futuros?
Bom, SE eu não for prefeita (há esse risco... rsrs), tenho vários planos B... Um deles é montar um blog que acompanhe diariamente as atividades na Câmara Municipal, porque ninguém sabe direito o que acontece aqui, e a imprensa cobre ocasionalmente.
Também gostaria de ter um cargo de ouvidoria ou "ombudsman", trabalhando na administração para apontar seus próprios erros. Ao mesmo tempo, tenho vontade de passar 3 meses no semi-árido fazendo trabalho voluntário, sabe? Vou ver... (E tem o trabalho na TV e no jornal, a menos que não me queiram mais)
Qual é a maior diferença entre os partidos????
Boa pergunta! Às vezes é difícil responder! Teoricamente, tem uma diferença original de ideologia, de programa. Um (de esquerda) acha que o Estado tem um papel muito importante como promotor do desenvolvimento, justiça, igualdade; outro (de direita) acha que o Estado só atrapalha, que o mercado se organiza sozinho para oferecer o que as pessoas precisam. (Estou fazendo definições meio toscas, pra encurtar). Na prática, mistura tudo! Fazem alianças sem nenhuma coerência com ideologia e programa... Se no governo, defendem que "vale tudo" pra governar; se na oposição, acham que têm de meter o pau em tudo o que o governo faz... Em todos eles, em número maior ou menor, têm pessoas que discordam disso tudo e tentam fazer as coisas direito... Quanto maior o partido, infelizmente é mais difícil ter coerência e consistência, e essas vozes mais sensatas desaparecem na multidão... É duro, viu!
Soninha, prefere a política ou o futebol? (rsrs...)
Futebol é muito, mas muito mais divertido! Mas não tem nada mais importante na minha vida hoje do que a política. Pela importância que ela tem no mundo - maior até do que a do futebol (rsrs)
Sente saudades da MTV? Onde foi o melhor lugar que já trabalhou?
Como eu fiquei MUITO tempo na MTV e saí de lá quando já estava enjoada de tanto brigar lá dentro (nossa, parece até que estou falando do PT, rsrs), não tenho saudade não... Foi muito, muito legal, mas eu me matei de trabalhar lá, e nem sempre ficava feliz com os rumos da TV... E os amigos que eu tinha naquela época continuam meus amigos, então tudo bem.
O melhor lugar que já trabalhei? Vixe, não sei. Todos tinham problemas, mas em todos eu fui feliz. MTV, TV Cultura, Cultura Inglesa (dei aula lá!). Ah, já sei, acho que o que fica mais próximo dos meus ideais é mesmo a ESPN...
Eu sei que todos os políticos (com boas intenções) tem a vontade de mundar o mundo. Você tem essa expectativa, claro que mudar o mundo no sentido daquilo que está ao seu alcance, né!?
Putz, tenho mesmo. Se não for pra "mudar o mundo", esse mundo tão cheio de problemas graves que a gente conhece, pra que entrar na política?? Você não pode ter expectativas exageradas, não pode menosprezar os problemas e dificuldades, mas tem de tentar fazer o que estiver ao seu alcance. O que deixa a gente desanimado às vezes é ver quantas pessoas nem tentam mais... Se acomodam, acham que é assim mesmo e sempre vai ser... Bom, se você não fizer nada pra mudar, aí é que não muda mesmo!!
Soninha, tem algum livro que mudou a sua vida e que você indicaria como leitura obrigatória? Se sim, por quê?
Difícil pensar em um livro só, porque a minha vida foi soterrada por livros, eu leio o tempo todo, e não sei apontar um só... Mas tem, por exemplo, a coleção Para Gostar de Ler, que me apresentou cronistas muito legais que tinham uma visão crítica do mundo e ao mesmo tempo uma sensibilidade para as pessoas comuns, os detalhes da vida cotidiana... Acho que esse respeito ao personagem que cada pessoa é no mundo me inspira até hoje. Pensar em como as grandes coisas interferem na "pequena" vida das pessoas. (Ah, os quatro eram: Fernando Sabino, Carlos Drummond, Rubem Braga e Paulo Mendes Campos). E tem os livros sobre budismo... Mas esses vieram bem depois.
Soninha, você teria outro(a) filho(a) se se casasse de novo?
Embora eu adore ter filhos, não, não teria mais... Eu já tenho 40 anos, e me faltaria energia pra começar tudo de novo com uma criança pequena (precisa ter muita energia!). Mas uma das minhas frustrações é não ter adotado um filho... Agora não daria, porque eu passo tempo demais na rua. Mas talvez um dia eu ainda realize esse plano.
Você tem um sonho de consumo? E um profissional?
Sonho de consumo? Eu adoraria ter uma casa bem legal, com quintal, árvores, jardim de inverno... E queria viajar muito pelo Brasil e pelo mundo... O profissional, o maior de todos, seria ser prefeita. Mas o fato de ser candidata já é a realização de um sonho.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
PPS confirma Soninha Prefeita e 83 candidatos à Câmara paulistana
O PPS oficializou por aclamação, durante a convenção eleitoral, a candidatura da vereadora Soninha Francine à Prefeitura de São Paulo e uma chapa própria com 83 candidatos e candidatas à Câmara Municipal. A propaganda eleitoral estará liberada a partir de 5 de julho. O PPS apresenta Soninha à Prefeitura como alternativa para qualificar o debate, resgatar princípios e ideais que parecem fora de moda na política, construir um programa de governo verdadeiramente identificado com os cidadãos paulistanos e reaproximar o PPS de movimentos populares e sociais.
É a reafirmação da trajetória do PCB/PPS, que construiu um projeto alternativo viável e eficaz para a cidade, para o estado e para o país. Com a candidatura própria à Prefeitura de São Paulo e uma chapa completa de candidatos e candidatas à Câmara, o PPS se mantém coerente à sua história e une diversas gerações: além de resgatar a velha militância partidária está agregando jovens preocupados com o futuro e que entendem que podem interferir para melhorar o nosso dia-a-dia.
O PPS é a chance de concretizar de forma coerente os ideais democráticos, da cidadania plena e da justiça social. É o partido que disparou na frente em busca de novos modelos de desenvolvimento nacional e de soluções para a urgente necessidade de melhoria das condições de vida da grande maioria do povo brasileiro.O PPS é um partido em expansão nacional, com um ideário renovado e melhor adaptado à nossa realidade, composto em grande parte por uma nova geração de políticos éticos e comprometidos com a busca de novos caminhos para o desenvolvimento econômico, político e social de São Paulo e do Brasil.
Venha para o PPS! Ajude a construir o melhor programa de governo para a cidade de São Paulo. Participe!
LEIA TAMBÉM:
PPS lança Soninha e outros candidatos da Grande São Paulo
Soninha Prefeita: a campanha do PPS está nas ruas


sábado, 7 de junho de 2008
Veja os modelos de documentos necessários para as Convenções Eleitorais
Veja a seguir os modelos dos principais documentos necessários para a realização das Convenções Eleitorais do PPS nos municípios de São Paulo.
MODELO 1
PARTIDO POPULAR SOCIALISTA-PPS
EDITAL
Nos termos do Estatuto Partidário (Resolução 001/2008) e da Legislação Eleitoral em vigor, ficam convocados, pelo presente edital, todos os filiados ao Partido Popular Socialista-PPS, que tiverem suas filiações deferidas até o dia .......... de .......... de 200..., neste município, para a CONVENÇÃO MUNICIPAL que será realizada no dia ..............., de ............... de 200.., com inicio as ............... e término as ............ horas, na rua ......................, nº ................, nesta cidade, com a seguinte ordem do dia:
1. ............................
2. ...........................
Local e data.
___________________________
Assinatura do Presidente
-----------------------
MODELO 2
ATA DA CONVENÇÃO ELEITORAL DO PARTIDO POPULAR SOCIALISTA – PPS
Aos ........................... dias do mês de junho de dois mil e oito, das ....... às ......... horas, nas dependências do (a) ..........................................., situado (a) na ........................................, na cidade de ......................, realizou-se a Convenção Eleitoral do Partido Popular Socialista - PPS, com a presença de ............................ (...............) filiados aptos a votar, estando a Convenção em condições de deliberar de acordo com a normas estabelecidas pela Direção Nacional do Partido, Resolução nº 001/08, e a legislação em vigor, cumprindo o quorum estabelecido que é de ................. (...........) filiados. Eleitor por aclamação para presidir os trabalhos o (a) presidente da Comissão Executiva Municipal ou o (a) presidente da Comissão Organizadora Provisória, o (a) companheiro (a) ....................................., convocou para secretariar os trabalhos o (a) companheiro (a) ................................ Em seguida usou da palavra para colocar em discussão os assuntos em pauta, segundo Edital publicado no ............................................, em ........, de ............... de 2004. Ato seguido o Presidente fez uma exposição do andamento das negociações como os Partidos ........................................................ (se houver alguma negociação em andamento para possível coligação) para formalização de coligação para os cargos majoritários de Prefeito e Vice-Prefeito. Informou, também, que havia um entendimento para fazer coligação na chapa de Vereadores com o (s) Partido (s) ...................................................... Para coligar o processo de composição da chapa majoritária coligada, o Presidente propôs que a Convenção desse poderes à Comissão Executiva Municipal, que junto com os companheiros do Partido .................................... e do Partido ................................ fariam a escolha do candidato a Prefeito e Vice-Prefeito. As propostas apresentadas pelo Presidente foram aprovadas por ....... dos ........ filiados presentes. De modo que ficou aprovado: 1. Coligação com o P..... e o P..... para os cargos majoritários de Prefeito e Vice-Prefeito (se for o caso indicar os nomes que deverão compor a chapa e a que partido pertencem) (ou lançamento de candidatura própria do (a) companheiro (a) ........................................... para Prefeito e do (a) companheiro (a) para Vice-Prefeito); 2. Coligação dos partidos ................................ para chapa de vereadores (ou lançamento de chapa própria para Vereadores). Para compor a chapa coligada de Vereadores (ou chapa própria), o PPS indicou os seguintes candidatos com os respectivos números, com os quais vão concorrer: homens ...................................., nº ...................; ........................... nº ...............; ............................, nº ............................, .................. nº ..................; mulheres ..............................., nº ....................; ............................, nº ................; ................................, nº ........................ Em seguida o Presidente propôs que possíveis vagas remanescentes para a chapa de candidatos a vereador ou eventuais substituições ficassem a cargo da Comissão Executiva, nos termos da legislação eleitoral em vigor. No caso de chapa própria para Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores indicar os nomes e os números com que cada um deverá concorrer. Por proposta do companheiro ...................... a Convenção deliberou que a Comissão Executiva Municipal ficasse encarregada, em comum acordo com os partidos coligados (ou no caso de chapa própria somente a Comissão Executiva Municipal) de definir os limites máximo de gastos da campanha para todos os cargos. Propôs também a designação do (a) companheiro (a) ..................... como representante do Partido para compor o Comitê Financeiro da coligação; ou no caso de chapa própria designar os (as) companheiros (as) .............................., ................................. e ....................................... para constituírem o Comitê Financeiro do Partido; e, designar o (a) companheiro (a) ....................................... como Delegado (a) do Partido junto a Justiça Eleitoral. Colocada em votação, a proposta foi aprovada por unanimidade dos presentes. Sem mais a ser tratado e como não houve nenhum protesto nem qualquer impugnação, o presidente ................................... deu por encerrada a Convenção num clima de congraçamento e determinação visando a campanha eleitoral deste ano. Para constar foi lavrada a presente Ata que após lida e achada conforme vai assinada por mim, .................................. que secretarie os trabalhos .............................. e pelo presidente ....................................
........................., ............. de junho de 2008.
----------------------
Resolução 001/2008
Diretório Nacional
Publicado em 01/03/2008 (Art. 61 do Estatuto)
Estabelece normas para a escolha de
candidatos(as) e/ou coligações para as
eleições de 5 de outubro de 2008
O Diretório Nacional do Partido Popular Socialista, atendendo o determinado pelo Projeto "Pé na Estrada", assim como exigências legais e estatutárias, no que tange às eleições de 2008, aprova a seguinte Resolução:
Art. 1º - A Convenção Eleitoral Municipal, destinada a deliberar sobre coligações e escolha de candidatos(as) aos pleitos de 5 de outubro de 2008, deverá ser realizada no período de 10 a 30 de junho de 2008, lavrando-se a respectiva ata.
Art. 2° - A convocação será feita pela Comissão Executiva Municipal ou Comissão
Organizadora Municipal, por meio de edital, que será fixado na sede do Partido e no quadro de avisos do Cartório Eleitoral ou dos Cartórios Eleitorais do Município, além do site partidário, respeitando a antecedência mínima de 8 (oito) dias.
§ 1 ° - No edital, devem constar, dentre outras informações, a pauta dos trabalhos, o local e o horário da Convenção.
§ 2° - Para maior divulgação do evento, devem ser fornecidas informações a respeito às emissoras de rádio, televisão e aos jornais.
§ 3° - Encaminhar ofício à Justiça Eleitoral comunicando dia, horário e local da realização da Convenção.
Art. 3° - A Convenção poderá ser realizada em qualquer dia da semana, considerando-se aquele que possibilite maior presença e participação de convencionais e por um período necessário às deliberações, nunca inferior a 2 (duas) horas.
Art. 4° - O local escolhido deve ser de fácil acesso e, se em prédio público, precisa ser solicitado com a devida antecedência à autoridade competente, conforme estabelece o art. 51 da Lei 9.096/95.
Art. 5° - A Convenção Eleitoral Municipal é constituída por todos os membros do partido filiados até 30 (trinta) dias antes, na respectiva jurisdição, quites com as finanças partidárias, e sua participação se dará:
I - de forma direta;
II - ou, por meio de delegados(as) escolhidos(as), conforme critérios de proporcionalidade definidos em resolução do Diretório Municipal.
§ 1 ° - O(A) participante da Convenção será denominado(a) convencional e só terá direito a voto após devidamente credenciado(a).
§ 2 ° - O(A) detentor(a) de mandato eletivo domiciliado no município participará da Convenção Eleitoral Municipal com direito a voz e voto, não-cumulativo, e atendida a exigência do caput deste artigo.
Art. 6° - A Comissão Executiva poderá, dentro de sua circunscrição, convidar lideranças locais para participarem das Convenções, com direito a voz.
Art. 7° - A inscrição de pré-candidatos(as) às eleições majoritárias e proporcionais poderá ser feita junto à Comissão Executiva ou Organizadora, até o início da Convenção, salvo se o órgão partidário que convocar a Convenção fixar prazo de antecedência.
§ 1 ° - Será exigida do(a) pré-candidato(a), no ato da inscrição, comprovação de estar em dia com sua contribuição financeira e o certificado de participação no Curso de Formação Política.
§ 2º - Da inscrição dos(as) pré-candidatos(as) no Curso de Formação Política, as direções municipais e estaduais enviarão ao diretório nacional, por e-mail ou carta, a relação de todos os participantes para registro em cadastro nacional.
§ 3° - O(A) pré-candidato(a) deverá apresentar curriculum vitae e um resumo das propostas que compõem sua plataforma.
§ 4° - O(A) pré-candidato(a) a prefeito(a) deverá apresentar uma proposta contendo um
programa mínimo e declarar que envidará todos os esforços em melhorar a qualidade de vida da população, com acompanhamento dos indicadores de desenvolvimento humano.
§ 5° - No ato da inscrição, o(a) pré-candidato(a) deverá assinar autorização prévia de desconto nos seus vencimentos, se eleito, da contribuição financeira definida no Estatuto partidário, e Resoluções nacional, estadual ou municipal, e autorizará, por escrito, a quebra do seu sigilo bancário e fiscal.
§ 6° - Será considerada falta grave a prática do nepotismo.
Art. 8° - As articulações políticas e as coligações deverão ser feitas dentro da política nacional do partido, sendo admitidas exceções.
§ 1º - As direções estadual e nacional participarão desse processo, respeitando a autonomia das organizações partidárias.
Art. 09 - A Convenção se instalará com qualquer número de presença, e deliberará com a maioria absoluta dos convencionais presentes, que escolherão a Mesa de direção dos trabalhos.
Art. 10 - Não será permitido o voto por procuração nem o cumulativo.
Art. 11 - Caso a Convenção não indique o número máximo de candidatos previstos na Lei
9.504/97, o Diretório ou Comissão Organizadora Municipal poderá até o dia 5 de julho de 2008 preencher as vagas remanescentes.
Brasília, 1º de março de 2008
Roberto Freire
Presidente
MODELO 1
PARTIDO POPULAR SOCIALISTA-PPS
EDITAL
Nos termos do Estatuto Partidário (Resolução 001/2008) e da Legislação Eleitoral em vigor, ficam convocados, pelo presente edital, todos os filiados ao Partido Popular Socialista-PPS, que tiverem suas filiações deferidas até o dia .......... de .......... de 200..., neste município, para a CONVENÇÃO MUNICIPAL que será realizada no dia ..............., de ............... de 200.., com inicio as ............... e término as ............ horas, na rua ......................, nº ................, nesta cidade, com a seguinte ordem do dia:
1. ............................
2. ...........................
Local e data.
___________________________
Assinatura do Presidente
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MODELO 2
ATA DA CONVENÇÃO ELEITORAL DO PARTIDO POPULAR SOCIALISTA – PPS
Aos ........................... dias do mês de junho de dois mil e oito, das ....... às ......... horas, nas dependências do (a) ..........................................., situado (a) na ........................................, na cidade de ......................, realizou-se a Convenção Eleitoral do Partido Popular Socialista - PPS, com a presença de ............................ (...............) filiados aptos a votar, estando a Convenção em condições de deliberar de acordo com a normas estabelecidas pela Direção Nacional do Partido, Resolução nº 001/08, e a legislação em vigor, cumprindo o quorum estabelecido que é de ................. (...........) filiados. Eleitor por aclamação para presidir os trabalhos o (a) presidente da Comissão Executiva Municipal ou o (a) presidente da Comissão Organizadora Provisória, o (a) companheiro (a) ....................................., convocou para secretariar os trabalhos o (a) companheiro (a) ................................ Em seguida usou da palavra para colocar em discussão os assuntos em pauta, segundo Edital publicado no ............................................, em ........, de ............... de 2004. Ato seguido o Presidente fez uma exposição do andamento das negociações como os Partidos ........................................................ (se houver alguma negociação em andamento para possível coligação) para formalização de coligação para os cargos majoritários de Prefeito e Vice-Prefeito. Informou, também, que havia um entendimento para fazer coligação na chapa de Vereadores com o (s) Partido (s) ...................................................... Para coligar o processo de composição da chapa majoritária coligada, o Presidente propôs que a Convenção desse poderes à Comissão Executiva Municipal, que junto com os companheiros do Partido .................................... e do Partido ................................ fariam a escolha do candidato a Prefeito e Vice-Prefeito. As propostas apresentadas pelo Presidente foram aprovadas por ....... dos ........ filiados presentes. De modo que ficou aprovado: 1. Coligação com o P..... e o P..... para os cargos majoritários de Prefeito e Vice-Prefeito (se for o caso indicar os nomes que deverão compor a chapa e a que partido pertencem) (ou lançamento de candidatura própria do (a) companheiro (a) ........................................... para Prefeito e do (a) companheiro (a) para Vice-Prefeito); 2. Coligação dos partidos ................................ para chapa de vereadores (ou lançamento de chapa própria para Vereadores). Para compor a chapa coligada de Vereadores (ou chapa própria), o PPS indicou os seguintes candidatos com os respectivos números, com os quais vão concorrer: homens ...................................., nº ...................; ........................... nº ...............; ............................, nº ............................, .................. nº ..................; mulheres ..............................., nº ....................; ............................, nº ................; ................................, nº ........................ Em seguida o Presidente propôs que possíveis vagas remanescentes para a chapa de candidatos a vereador ou eventuais substituições ficassem a cargo da Comissão Executiva, nos termos da legislação eleitoral em vigor. No caso de chapa própria para Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores indicar os nomes e os números com que cada um deverá concorrer. Por proposta do companheiro ...................... a Convenção deliberou que a Comissão Executiva Municipal ficasse encarregada, em comum acordo com os partidos coligados (ou no caso de chapa própria somente a Comissão Executiva Municipal) de definir os limites máximo de gastos da campanha para todos os cargos. Propôs também a designação do (a) companheiro (a) ..................... como representante do Partido para compor o Comitê Financeiro da coligação; ou no caso de chapa própria designar os (as) companheiros (as) .............................., ................................. e ....................................... para constituírem o Comitê Financeiro do Partido; e, designar o (a) companheiro (a) ....................................... como Delegado (a) do Partido junto a Justiça Eleitoral. Colocada em votação, a proposta foi aprovada por unanimidade dos presentes. Sem mais a ser tratado e como não houve nenhum protesto nem qualquer impugnação, o presidente ................................... deu por encerrada a Convenção num clima de congraçamento e determinação visando a campanha eleitoral deste ano. Para constar foi lavrada a presente Ata que após lida e achada conforme vai assinada por mim, .................................. que secretarie os trabalhos .............................. e pelo presidente ....................................
........................., ............. de junho de 2008.
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Resolução 001/2008
Diretório Nacional
Publicado em 01/03/2008 (Art. 61 do Estatuto)
Estabelece normas para a escolha de
candidatos(as) e/ou coligações para as
eleições de 5 de outubro de 2008
O Diretório Nacional do Partido Popular Socialista, atendendo o determinado pelo Projeto "Pé na Estrada", assim como exigências legais e estatutárias, no que tange às eleições de 2008, aprova a seguinte Resolução:
Art. 1º - A Convenção Eleitoral Municipal, destinada a deliberar sobre coligações e escolha de candidatos(as) aos pleitos de 5 de outubro de 2008, deverá ser realizada no período de 10 a 30 de junho de 2008, lavrando-se a respectiva ata.
Art. 2° - A convocação será feita pela Comissão Executiva Municipal ou Comissão
Organizadora Municipal, por meio de edital, que será fixado na sede do Partido e no quadro de avisos do Cartório Eleitoral ou dos Cartórios Eleitorais do Município, além do site partidário, respeitando a antecedência mínima de 8 (oito) dias.
§ 1 ° - No edital, devem constar, dentre outras informações, a pauta dos trabalhos, o local e o horário da Convenção.
§ 2° - Para maior divulgação do evento, devem ser fornecidas informações a respeito às emissoras de rádio, televisão e aos jornais.
§ 3° - Encaminhar ofício à Justiça Eleitoral comunicando dia, horário e local da realização da Convenção.
Art. 3° - A Convenção poderá ser realizada em qualquer dia da semana, considerando-se aquele que possibilite maior presença e participação de convencionais e por um período necessário às deliberações, nunca inferior a 2 (duas) horas.
Art. 4° - O local escolhido deve ser de fácil acesso e, se em prédio público, precisa ser solicitado com a devida antecedência à autoridade competente, conforme estabelece o art. 51 da Lei 9.096/95.
Art. 5° - A Convenção Eleitoral Municipal é constituída por todos os membros do partido filiados até 30 (trinta) dias antes, na respectiva jurisdição, quites com as finanças partidárias, e sua participação se dará:
I - de forma direta;
II - ou, por meio de delegados(as) escolhidos(as), conforme critérios de proporcionalidade definidos em resolução do Diretório Municipal.
§ 1 ° - O(A) participante da Convenção será denominado(a) convencional e só terá direito a voto após devidamente credenciado(a).
§ 2 ° - O(A) detentor(a) de mandato eletivo domiciliado no município participará da Convenção Eleitoral Municipal com direito a voz e voto, não-cumulativo, e atendida a exigência do caput deste artigo.
Art. 6° - A Comissão Executiva poderá, dentro de sua circunscrição, convidar lideranças locais para participarem das Convenções, com direito a voz.
Art. 7° - A inscrição de pré-candidatos(as) às eleições majoritárias e proporcionais poderá ser feita junto à Comissão Executiva ou Organizadora, até o início da Convenção, salvo se o órgão partidário que convocar a Convenção fixar prazo de antecedência.
§ 1 ° - Será exigida do(a) pré-candidato(a), no ato da inscrição, comprovação de estar em dia com sua contribuição financeira e o certificado de participação no Curso de Formação Política.
§ 2º - Da inscrição dos(as) pré-candidatos(as) no Curso de Formação Política, as direções municipais e estaduais enviarão ao diretório nacional, por e-mail ou carta, a relação de todos os participantes para registro em cadastro nacional.
§ 3° - O(A) pré-candidato(a) deverá apresentar curriculum vitae e um resumo das propostas que compõem sua plataforma.
§ 4° - O(A) pré-candidato(a) a prefeito(a) deverá apresentar uma proposta contendo um
programa mínimo e declarar que envidará todos os esforços em melhorar a qualidade de vida da população, com acompanhamento dos indicadores de desenvolvimento humano.
§ 5° - No ato da inscrição, o(a) pré-candidato(a) deverá assinar autorização prévia de desconto nos seus vencimentos, se eleito, da contribuição financeira definida no Estatuto partidário, e Resoluções nacional, estadual ou municipal, e autorizará, por escrito, a quebra do seu sigilo bancário e fiscal.
§ 6° - Será considerada falta grave a prática do nepotismo.
Art. 8° - As articulações políticas e as coligações deverão ser feitas dentro da política nacional do partido, sendo admitidas exceções.
§ 1º - As direções estadual e nacional participarão desse processo, respeitando a autonomia das organizações partidárias.
Art. 09 - A Convenção se instalará com qualquer número de presença, e deliberará com a maioria absoluta dos convencionais presentes, que escolherão a Mesa de direção dos trabalhos.
Art. 10 - Não será permitido o voto por procuração nem o cumulativo.
Art. 11 - Caso a Convenção não indique o número máximo de candidatos previstos na Lei
9.504/97, o Diretório ou Comissão Organizadora Municipal poderá até o dia 5 de julho de 2008 preencher as vagas remanescentes.
Brasília, 1º de março de 2008
Roberto Freire
Presidente
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Entrevista: Gustavo Reis, do PPS, une PSDB e PT em Jaguariúna
Já estão unidos PPS, PSDB, PDT, PT, PV, PR e o PP para definir candidatura a prefeito de Jaguariúna. A união dos partidos políticos foi firmada em duas reuniões. A primeira aconteceu em novembro do ano passado e a segunda foi realizada em fevereiro deste ano. Disputam a candidatura Gustavo Reis, Valdir Parisi e Laércio Gothardo.Gustavo Reis, vereador pelo PPS em Jaguariúna de 2001 a 2004, membro do Diretório Nacional do partido e vice-presidente Nacional da JPS (Juventude Popular Socialista), tem no PPS seu único partido de militância há 10 anos. Nesta entrevista, publicada no boletim informativo do PPS na região, Gustavo Reis destaca o crescimento do partido.
O que te levou a ingressar no PPS?
Completo 10 anos no PPS (Partido Popular Socialista), meu primeiro e único partido em toda minha vida. Este partido que tem como princípio a radicalidade democrática e uma história de luta e batalhas, conseguiu importantes vitórias, sempre preservando dois direitos que julgo fundamentais na humanidade: o direito a vida e o direito a liberdade.
Como você está completando 10 anos de PPS, poderia resgatar um pouco da trajetória do partido na região?
Nestes 10 anos tive o privilégio de acompanhar e contribuir para o fortalecimento dos ideais do Partido e para o crescimento do PPS na região. Faço aqui uma retrospectiva, a partir das eleições de 2000, em que o Partido obteve resultados relevantes. Em Jaguariúna, o PPS elegeu o vereador mais votado da coligação que unia PDT, PSB, PV e PC do B. Já em Pedreira foram dois vereadores, na coligação PPS e PC do B. Em Santo Antonio de Posse ainda não havia representatividade.
Em 2004 o PPS em Jaguariúna participou da coligação vitoriosa para prefeito municipal, juntamente com outros partidos e teve o terceiro vereador mais votado da cidade. Já em Pedreira, o PPS participou da coligação vitoriosa para prefeito, juntamente com outros partidos e elegeu dois vereadores, na coligação PPS, PDT e PTC. Em Santo Antonio de Posse o PPS elegeu o prefeito municipal com 7.396 votos, numa ampla coligação de vários partidos e elegeu o segundo vereador mais votado da cidade, na coligação PDT, PL e PPS.
Como avalia estas conquistas?
Analisando estes dados, observa-se um franco crescimento do Partido na região, que passa a ter presença política cada vez maior, pois em 2000 não lançou nenhum
candidato à prefeitura nestas cidades e mesmo assim conseguiu eleger três vereadores.
Em 2004 lançou um candidato próprio a prefeito, venceu a eleição e também elegeu três vereadores, sempre entre os mais votados nas cidades. Outra característica do Partido na região é sua vocação para promover alianças vitoriosas, formando e participando de amplas coligações com partidos do campo democrático e popular. Para as eleições municipais de 2008 o PPS da região deverá formar grandes coligações.
Quais as perspectivas futuras para o PPS na região?
Em Jaguariúna, o PPS estabeleceu uma forte aliança com PSDB, PDT, PT, PV, PR e PP, que irão escolher um candidato desta frente. Em Pedreira deve apoiar a reeleição do prefeito Hamilton Bernardes. Em Santo Antonio de Posse, o PPS tem candidato próprio, o atual prefeito Norberto de Oliverio, que é candidato à reeleição. Portanto, com esse quadro político atual, a tendência é o crescimento ainda maior do Partido Popular Socialista neste ano eleitoral.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Entrevista: André Jorge, pré-candidato à Prefeitura de Franca
(do Jornal "FOLHA FRANCA")
A eleição municipal para a escolha do prefeito e dos vereadores só acontecerá no segundo semestre, mas a movimentação em torno dos nomes que enfrentarão o atual prefeito Sidnei Rocha (PSDB) já está acirrada em Franca.
Entre vários políticos conhecidos, um nome se destaca como uma das novidades mais promissoras. Trata-se do jovem advogado e empresário do setor de comunicação, André Lemos Jorge, de 29 anos.
Sócio-proprietário da Nova TV, dono de escritórios de advocacia em São Paulo e Brasília, onde ocupa um cargo no Ministério da Educação (CAPES), é portanto, bem articulado politicamente.
André Jorge já conseguiu ser indicado por seu partido, o PPS, como pré-candidato a prefeito, obtendo apoios políticos de partidos expressivos e com representatividade no Congresso Nacional, como o PMDB, o PV, além de outros não menos importantes, casos do PMN, PHS, PC do B, e, provavelmente, o PTN.
Outros partidos também estão sendo sondados para compor uma aliança forte, capaz de fazer um bom papel no cenário político municipal, disputando o Executivo e cadeiras na Câmara de Vereadores.
Na manhã de domingo, 17 de fevereiro, André Jorge recebeu a equipe do Folha Franca em sua chácara, no Belvedere dos Cristais, para uma entrevista exclusiva sobre o cenário político francano.
Acompanhe as opiniões do jovem advogado, que surge como um dos grandes nomes para o pleito municipal de 2008:
Folha Franca- André, por que esta escolha pela política?
André Jorge - Na verdade, meu partido discute candidatura própria em Franca desde 2006. A gente faz reuniões semanais. Este grupo vem sendo fortalecido, de modo que, inevitavelmente, em 2008, teremos candidato a prefeito em Franca. Acredito que o grupo se expandiu. Hoje temos seis partidos próximos da gente. A cada dia, este grupo ganha corpo e teremos um uma opção a mostrar para Franca em 2008, sem agressões e sim com propostas.
FF- Dentre os partidos que, provavelmente, farão aliança com o PPS, está o PMDB. É viável ter uma representação forte como este partido na luta pela prefeitura de Franca?
AJ- Acho que sim. O PMDB é um partido historicamente muito forte na região, bem como nacionalmente. É sempre importante numa coalizão termos um partido com maior representatividade na Câmara dos Deputados, porque isso repercute também no tempo de televisão. Em uma campanha municipal, por conta da proibição do showmício, dos brindes, camisetas, enfim, temos de olhar para a TV. Esta campanha de 2008 deverá ser muito focada na qualidade dos programas e na capacidade de transmitir à população os ideais do grupo.
O PMDB tem pensamento similar ao do PPS, que é o de estar conversando. Política é a arte de conversar todo tempo, o tempo todo. Nos últimos meses, nos aproximamos do PMDB. Fizemos reuniões com integrantes do PMDB, não tendo havido rejeição ao ideal do grupo, que é o de propor, na urna eletrônica, um novo candidato. Obviamente que, a exemplo do PPS, o PMDB e o PV têm os seus nomes. O do PPS hoje, por consenso é o meu. Pode ser que daqui a dois, três meses, o partidos apontem outros nomes, mas, hoje, o PPS, ao lado do PV, PHS, PMDB, PMN, PC do B, e, provavelmente, o PTN, já abriram nova frente de conversas em Franca para que a gente possa representar esta nova opção.
FF- Pode parecer que André Jorge é um desconhecido na política francana. Porém, suas experiências na Câmara Municipal de São Paulo, no gabinete do deputado estadual Gilson de Souza (DEM), nos corredores do Congresso Nacional, em Brasília, e em outros centros políticos, o credenciam como pré-candidato a prefeito?
AJ- Desde 8 anos de idade me recordo de conviver com políticos. Meu pai, Wiliam Wanderley Jorge (Procurador de Justiça aposentado e professor de Direito), foi candidato a deputado federal em 1982 e em 1986. De lá para cá, venho me envolvendo com política, estudando e transpirando. Obtive êxito no movimento estudantil quando cheguei na PUC, em São Paulo, mas fui iniciado em Franca, no colégio Alto Padrão, em 1995, pelas mãos da minha querida professora de história Bela (Maria Izabel Miguel Mendes), quando vencemos as eleições para o Grêmio estudantil.
Em 1997, ingressei na faculdade de Direito na PUC, uma efervescência política enorme, onde acabei indo para o Centro Acadêmico. Fui convidado para atuar na campanha do ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho, em 1998, quando ele era candidato a deputado federal. Com isso, conheci todo o Estado de São Paulo. À época, o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT) era vereador em São Paulo.
Meu professor de Direito Administrativo na PUC, Cardozo me convidou a fazer parte do seu gabinete, na Câmara Municipal. Também atuei na Câmara Municipal de Osasco, no gabinete do vereador Délbio Teruel. O grupo era super jovem. O mais velho do gabinete tinha 31 anos, incluindo o vereador Teruel.
Quando Gilson de Souza se elegeu deputado estadual pela primeira vez, conversamos, e fui trabalhar como advogado em seu gabinete. Hoje, ocupo cargo no Ministério da Educação, em Brasília, mais especificamente, na CAPES, que é a agência de fomento de bolsa e de pós-graduação. Convivo com o ministro da Educação, com o presidente da CAPES nos últimos três anos, o que me deu experiência sobre a política nacional. De 1986 para cá, acho que não me afastei da política em momento algum. Queria tentar trazer um pouco de toda esta bagagem para Franca.
FF- Você também é empresário de comunicação, com a NOVA TV. Qual o papel da imprensa no processo eleitoral?
AJ- É fundamental. Observe que a Constituição de 1988 tem um traço distintivo, que é a liberdade de imprensa. Hoje em dia, muito se avança neste sentido, entre a liberdade de imprensa e o direito à intimidade. Discutimos muito isto na pós-graduação (André Jorge é Mestre e Doutorando em Direito Constitucional) porque, por vezes, a imprensa tem sido elevada à condição de 4º Poder, e, em alguns casos, até de 1º Poder.
Quando você diz a alguém que vai processá-lo, ele não tem tanto medo quanto se você ameaçar estampar o nome dele em uma página de jornal. Ele teme mais a condenação pela imprensa, que não tem recurso, nem dilação de prazo, a ser processado no Judiciário, que tem todo um trâmite, muitas vezes dito lento, mas que garante o direito de defesa das pessoas. A imprensa em Franca é muito sólida. Temos três rádios AM, cinco FMs, vários jornais; a NOVA TV, a TV Record, a Clube e a EPTV.
A imprensa tem de cobrar, exigir, porque ela é os olhos e os ouvidos do povo, como dizia Rui Barbosa. Fico feliz de termos uma imprensa tão sólida, tão tradicional, e tão competente como a de Franca.
FF- A partir de 2008, provavelmente, teremos segundo turno para prefeito. Este detalhe pode definir a eleição?
AJ- O segundo turno define tudo. Muda tudo. Franca nunca conviveu com uma eleição em segundo turno. Estive muito próximo da eleição em que Paulo Maluf perdeu para Mário Covas, no governo de São Paulo. À época, eu trabalhava na campanha de Fleury para deputado. Essa percepção de que a eleição está ganha é errônea. Ninguém ganha nada na véspera. Se não tentar, não há chance. Existe uma frase folclórica na política que diz: “Eleição é igual mineração. Só depois da apuração”.
Segundo turno em Franca muda tudo. Sobretudo porque temos um prefeito que, certamente, tentará a reeleição. Temos uma sensação de favoritismo que, em alguns momentos, foi propagado por alguns meios de comunicação, mas, se a eleição não for decidida no primeiro turno, naturalmente, a população tende a pensar melhor no segundo turno, que seria outra eleição. Se esquece tudo o que houve, todo o favoritismo, toda pesquisa. Nada serve. O que serve é o último dia, o voto depositado na urna e a apuração. Não tem lógica nenhuma.
FF- É aí que entram os grupos de apoio?
AJ- É verdade. Por isso que a sensação que alguns têm de que o prefeito atual é imbatível, já começa a se desmistificar. Como a pesquisa quantitativa, que leva as pessoas a acreditarem em algo que não existe. Já tivemos exemplos de candidatos que lideravam pesquisas deste tipo e acabaram perdendo a eleição em Franca. Sobretudo em um ano antes da eleição.
A partir de março é que as conversas evoluem. As chapas irão se definir em junho, com a realização das convenções. Até lá, não existe candidatura. Daí a importância dos grupos políticos, para desmistificar a sensação de vitória antecipada e, também, por conta de tirar da cabeça das pessoas que o favoritismo é bom. Não é. É bom para quem disputa a eleição na condição de não favorito. Se ocorrer o segundo turno, a eleição pode mudar. A lógica vai toda pelo ralo.
FF- Como deve ser a administração municipal com o PPS no poder?
AJ- Deveremos focar mais o social e o emprego. Acredito que o trabalho de base nos Centros Comunitários tem de ser fortalecido. As creches merecem apoio financeiro maior. Não se admite uma creche conviver com um déficit mensal de R$ 6 mil. Por exemplo, imagine que a subvenção da prefeitura é de R$ 5,3 mil e a entidade gasta R$ 11,5 mil, sendo que a responsabilidade é do poder executivo municipal. Temos de ampliar este valor da subvenção. Cuidar das crianças nas creches. Construir berçários para que as mães possam trabalhar. Cuidar da periferia nos Centros Comunitários. Na Educação básica, Franca está entre as 100 piores cidades no Estado de São Paulo. Isso é lamentável, é caótico. Precisamos mudar esta situação rapidamente.
Na saúde, temos de criar outros prontos-socorros pela cidade. É inadmissível que um morador no Jardim Aeroporto atravesse a cidade para ser atendido no Janjão. Isso é uma loucura. Temos de criar novos empregos e apoiar o esporte. Além da Francana e do Franca Basquete, temos de incentivar o esporte amador. Tenho amigos pessoais no basquete e na Francana. Em São Paulo e Brasília, quando me perguntam qual o meu time preferido, respondo que é a Francana. Acho que o esporte tira as pessoas da rua, transforma a cidade em um ambiente cultural muito mais agradável. Temos de buscar parcerias com grandes empresas. Precisamos formar um Centro de Excelência do Basquete em Franca. Tenho também amigos que todos sábados acordam às 7 horas da manhã, colocam chuteiras e vão para um campo de futebol. Pouca gente sabe da quantidade de torneios amadores de futebol que temos em Franca. Temos de apoiar a Liga Francana de Futebol Amadora, fomentar o esporte amador, que é muito barato e dá bons resultados.
FF- O eleitorado feminino hoje, praticamente, decide eleição em Franca. Houve época em que determinado candidato ganhou muitos votos das mulheres, que o achavam bonito. Você acha que sua aparência pode angariar votos, ou não tem nada a ver?
AJ- Não havia pensado nisso. Nem me considero uma pessoa de aparência bonita. Me recordo que o Maurício Ribeiro ganhou muitos votos das mulheres, que, hoje, realmente, definem uma eleição. Se vier o voto apenas pela aparência é bom, mas temos de ter propostas para o público feminino. Acredito que a mulher tem de ser inserida com maior intensidade no trabalho. Temos de dar a elas melhores oportunidades. Não há motivos para a mulher ganhar menos do que o homem. Sempre digo que mulher é muito mais organizada do que o homem. E, em muitos casos, mais competentes.
A eleição municipal para a escolha do prefeito e dos vereadores só acontecerá no segundo semestre, mas a movimentação em torno dos nomes que enfrentarão o atual prefeito Sidnei Rocha (PSDB) já está acirrada em Franca.
Entre vários políticos conhecidos, um nome se destaca como uma das novidades mais promissoras. Trata-se do jovem advogado e empresário do setor de comunicação, André Lemos Jorge, de 29 anos. Sócio-proprietário da Nova TV, dono de escritórios de advocacia em São Paulo e Brasília, onde ocupa um cargo no Ministério da Educação (CAPES), é portanto, bem articulado politicamente.
André Jorge já conseguiu ser indicado por seu partido, o PPS, como pré-candidato a prefeito, obtendo apoios políticos de partidos expressivos e com representatividade no Congresso Nacional, como o PMDB, o PV, além de outros não menos importantes, casos do PMN, PHS, PC do B, e, provavelmente, o PTN.
Outros partidos também estão sendo sondados para compor uma aliança forte, capaz de fazer um bom papel no cenário político municipal, disputando o Executivo e cadeiras na Câmara de Vereadores.
Na manhã de domingo, 17 de fevereiro, André Jorge recebeu a equipe do Folha Franca em sua chácara, no Belvedere dos Cristais, para uma entrevista exclusiva sobre o cenário político francano.
Acompanhe as opiniões do jovem advogado, que surge como um dos grandes nomes para o pleito municipal de 2008:
Folha Franca- André, por que esta escolha pela política?
André Jorge - Na verdade, meu partido discute candidatura própria em Franca desde 2006. A gente faz reuniões semanais. Este grupo vem sendo fortalecido, de modo que, inevitavelmente, em 2008, teremos candidato a prefeito em Franca. Acredito que o grupo se expandiu. Hoje temos seis partidos próximos da gente. A cada dia, este grupo ganha corpo e teremos um uma opção a mostrar para Franca em 2008, sem agressões e sim com propostas.
FF- Dentre os partidos que, provavelmente, farão aliança com o PPS, está o PMDB. É viável ter uma representação forte como este partido na luta pela prefeitura de Franca?
AJ- Acho que sim. O PMDB é um partido historicamente muito forte na região, bem como nacionalmente. É sempre importante numa coalizão termos um partido com maior representatividade na Câmara dos Deputados, porque isso repercute também no tempo de televisão. Em uma campanha municipal, por conta da proibição do showmício, dos brindes, camisetas, enfim, temos de olhar para a TV. Esta campanha de 2008 deverá ser muito focada na qualidade dos programas e na capacidade de transmitir à população os ideais do grupo.
O PMDB tem pensamento similar ao do PPS, que é o de estar conversando. Política é a arte de conversar todo tempo, o tempo todo. Nos últimos meses, nos aproximamos do PMDB. Fizemos reuniões com integrantes do PMDB, não tendo havido rejeição ao ideal do grupo, que é o de propor, na urna eletrônica, um novo candidato. Obviamente que, a exemplo do PPS, o PMDB e o PV têm os seus nomes. O do PPS hoje, por consenso é o meu. Pode ser que daqui a dois, três meses, o partidos apontem outros nomes, mas, hoje, o PPS, ao lado do PV, PHS, PMDB, PMN, PC do B, e, provavelmente, o PTN, já abriram nova frente de conversas em Franca para que a gente possa representar esta nova opção.
FF- Pode parecer que André Jorge é um desconhecido na política francana. Porém, suas experiências na Câmara Municipal de São Paulo, no gabinete do deputado estadual Gilson de Souza (DEM), nos corredores do Congresso Nacional, em Brasília, e em outros centros políticos, o credenciam como pré-candidato a prefeito?
AJ- Desde 8 anos de idade me recordo de conviver com políticos. Meu pai, Wiliam Wanderley Jorge (Procurador de Justiça aposentado e professor de Direito), foi candidato a deputado federal em 1982 e em 1986. De lá para cá, venho me envolvendo com política, estudando e transpirando. Obtive êxito no movimento estudantil quando cheguei na PUC, em São Paulo, mas fui iniciado em Franca, no colégio Alto Padrão, em 1995, pelas mãos da minha querida professora de história Bela (Maria Izabel Miguel Mendes), quando vencemos as eleições para o Grêmio estudantil.
Em 1997, ingressei na faculdade de Direito na PUC, uma efervescência política enorme, onde acabei indo para o Centro Acadêmico. Fui convidado para atuar na campanha do ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho, em 1998, quando ele era candidato a deputado federal. Com isso, conheci todo o Estado de São Paulo. À época, o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT) era vereador em São Paulo.
Meu professor de Direito Administrativo na PUC, Cardozo me convidou a fazer parte do seu gabinete, na Câmara Municipal. Também atuei na Câmara Municipal de Osasco, no gabinete do vereador Délbio Teruel. O grupo era super jovem. O mais velho do gabinete tinha 31 anos, incluindo o vereador Teruel.
Quando Gilson de Souza se elegeu deputado estadual pela primeira vez, conversamos, e fui trabalhar como advogado em seu gabinete. Hoje, ocupo cargo no Ministério da Educação, em Brasília, mais especificamente, na CAPES, que é a agência de fomento de bolsa e de pós-graduação. Convivo com o ministro da Educação, com o presidente da CAPES nos últimos três anos, o que me deu experiência sobre a política nacional. De 1986 para cá, acho que não me afastei da política em momento algum. Queria tentar trazer um pouco de toda esta bagagem para Franca.
FF- Você também é empresário de comunicação, com a NOVA TV. Qual o papel da imprensa no processo eleitoral?
AJ- É fundamental. Observe que a Constituição de 1988 tem um traço distintivo, que é a liberdade de imprensa. Hoje em dia, muito se avança neste sentido, entre a liberdade de imprensa e o direito à intimidade. Discutimos muito isto na pós-graduação (André Jorge é Mestre e Doutorando em Direito Constitucional) porque, por vezes, a imprensa tem sido elevada à condição de 4º Poder, e, em alguns casos, até de 1º Poder.
Quando você diz a alguém que vai processá-lo, ele não tem tanto medo quanto se você ameaçar estampar o nome dele em uma página de jornal. Ele teme mais a condenação pela imprensa, que não tem recurso, nem dilação de prazo, a ser processado no Judiciário, que tem todo um trâmite, muitas vezes dito lento, mas que garante o direito de defesa das pessoas. A imprensa em Franca é muito sólida. Temos três rádios AM, cinco FMs, vários jornais; a NOVA TV, a TV Record, a Clube e a EPTV.
A imprensa tem de cobrar, exigir, porque ela é os olhos e os ouvidos do povo, como dizia Rui Barbosa. Fico feliz de termos uma imprensa tão sólida, tão tradicional, e tão competente como a de Franca.
FF- A partir de 2008, provavelmente, teremos segundo turno para prefeito. Este detalhe pode definir a eleição?
AJ- O segundo turno define tudo. Muda tudo. Franca nunca conviveu com uma eleição em segundo turno. Estive muito próximo da eleição em que Paulo Maluf perdeu para Mário Covas, no governo de São Paulo. À época, eu trabalhava na campanha de Fleury para deputado. Essa percepção de que a eleição está ganha é errônea. Ninguém ganha nada na véspera. Se não tentar, não há chance. Existe uma frase folclórica na política que diz: “Eleição é igual mineração. Só depois da apuração”.
Segundo turno em Franca muda tudo. Sobretudo porque temos um prefeito que, certamente, tentará a reeleição. Temos uma sensação de favoritismo que, em alguns momentos, foi propagado por alguns meios de comunicação, mas, se a eleição não for decidida no primeiro turno, naturalmente, a população tende a pensar melhor no segundo turno, que seria outra eleição. Se esquece tudo o que houve, todo o favoritismo, toda pesquisa. Nada serve. O que serve é o último dia, o voto depositado na urna e a apuração. Não tem lógica nenhuma.
FF- É aí que entram os grupos de apoio?
AJ- É verdade. Por isso que a sensação que alguns têm de que o prefeito atual é imbatível, já começa a se desmistificar. Como a pesquisa quantitativa, que leva as pessoas a acreditarem em algo que não existe. Já tivemos exemplos de candidatos que lideravam pesquisas deste tipo e acabaram perdendo a eleição em Franca. Sobretudo em um ano antes da eleição.
A partir de março é que as conversas evoluem. As chapas irão se definir em junho, com a realização das convenções. Até lá, não existe candidatura. Daí a importância dos grupos políticos, para desmistificar a sensação de vitória antecipada e, também, por conta de tirar da cabeça das pessoas que o favoritismo é bom. Não é. É bom para quem disputa a eleição na condição de não favorito. Se ocorrer o segundo turno, a eleição pode mudar. A lógica vai toda pelo ralo.
FF- Como deve ser a administração municipal com o PPS no poder?
AJ- Deveremos focar mais o social e o emprego. Acredito que o trabalho de base nos Centros Comunitários tem de ser fortalecido. As creches merecem apoio financeiro maior. Não se admite uma creche conviver com um déficit mensal de R$ 6 mil. Por exemplo, imagine que a subvenção da prefeitura é de R$ 5,3 mil e a entidade gasta R$ 11,5 mil, sendo que a responsabilidade é do poder executivo municipal. Temos de ampliar este valor da subvenção. Cuidar das crianças nas creches. Construir berçários para que as mães possam trabalhar. Cuidar da periferia nos Centros Comunitários. Na Educação básica, Franca está entre as 100 piores cidades no Estado de São Paulo. Isso é lamentável, é caótico. Precisamos mudar esta situação rapidamente.
Na saúde, temos de criar outros prontos-socorros pela cidade. É inadmissível que um morador no Jardim Aeroporto atravesse a cidade para ser atendido no Janjão. Isso é uma loucura. Temos de criar novos empregos e apoiar o esporte. Além da Francana e do Franca Basquete, temos de incentivar o esporte amador. Tenho amigos pessoais no basquete e na Francana. Em São Paulo e Brasília, quando me perguntam qual o meu time preferido, respondo que é a Francana. Acho que o esporte tira as pessoas da rua, transforma a cidade em um ambiente cultural muito mais agradável. Temos de buscar parcerias com grandes empresas. Precisamos formar um Centro de Excelência do Basquete em Franca. Tenho também amigos que todos sábados acordam às 7 horas da manhã, colocam chuteiras e vão para um campo de futebol. Pouca gente sabe da quantidade de torneios amadores de futebol que temos em Franca. Temos de apoiar a Liga Francana de Futebol Amadora, fomentar o esporte amador, que é muito barato e dá bons resultados.
FF- O eleitorado feminino hoje, praticamente, decide eleição em Franca. Houve época em que determinado candidato ganhou muitos votos das mulheres, que o achavam bonito. Você acha que sua aparência pode angariar votos, ou não tem nada a ver?
AJ- Não havia pensado nisso. Nem me considero uma pessoa de aparência bonita. Me recordo que o Maurício Ribeiro ganhou muitos votos das mulheres, que, hoje, realmente, definem uma eleição. Se vier o voto apenas pela aparência é bom, mas temos de ter propostas para o público feminino. Acredito que a mulher tem de ser inserida com maior intensidade no trabalho. Temos de dar a elas melhores oportunidades. Não há motivos para a mulher ganhar menos do que o homem. Sempre digo que mulher é muito mais organizada do que o homem. E, em muitos casos, mais competentes.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Momentos do 1º Encontro de Pré-candidatos do PPS/SP
Governador José Serra participa do 1º Encontro Estadual de Pré-candidatos do PPS/SP
Roberto Freire, José Serra, Davi Zaia e Dimas Ramalho na entrada do Encontro
O presidente estadual do PPS/SP, Davi Zaia, agradece a presença do governador
Luiza Erundina, José Serra, Roberto Freire e Soninha Francine
Governador José Serra, Roberto Freire e Luiza Erundina
Luiza Erundina, Roberto Freire e Soninha Francine
Mais de mil pessoas lotaram os cinco auditórios da Assembléia Legislativa
Soninha, Carlos Fernandes e João Batista de Andrade no Painel sobre Juventude e Cultura
Fábio Feldmann (PV) fala no Painel de Meio Ambiente, entre o prefeito Edinho Araújo e José Valverde
Painel sobre Segurança e Direitos Humanos reuniu Orlando Fantazini e Dimas Ramalho
Painel sobre Marketing e Legislação Eleitoral foi dos mais concorridos
Orlando Fantazini, Dimas Ramalho, José Serra e Davi Zaia
Governador José Serra (PSDB) participa do Encontro de pré-candidatos, ao lado de parlamentares do PPS, Luiza Erundina (PSB) e Roberto Freire
Cultura e Juventude: ações com a marca do PPS em São Paulo
O painel sobre Juventude, Cultura e Lazer, que ocorreu durante o 1º Encontro Estadual de Pré-candidatos do PPS, reuniu a vereadora e pré-candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine; o cineasta e ex-secretário de Cultura do Estado de São Paulo, João Batista de Andrade; e o músico e vereador de São Miguel Arcanjo, Dudu Terra. A coordenação da mesa foi do presidente municipal do PPS/SP, Carlos Fernandes.A vereadora Soninha Francine iniciou a sua fala ressaltando a importância de se definir políticas públicas específicas para a juventude.
"Os jovens têm direitos universais, mas também as suas peculiaridades", afirma Soninha. "É uma passagem da etapa de proteção da família e da tutela do Estado para a fase da autonomia, que têm sutilezas e complexidades."
Para Soninha, cabe ao Estado oferecer estrutura, apoio, educação e oferta de oportunidades nesta etapa de descobertas e de rupturas importantes. Ela sintetiza este período de escolhas com o vestibular - "Que eu abomino, porque todo o processo educativo é voltado para isso", afirma a vereadora.
"Para fazer escolhas acertadas, o jovem precisa ter o seu repertório, construir valores como responsabilidade (saber que tudo o que a gente faz no mundo tem um impacto), noção de respeito, solidariedade, paciência, compreensão de visões divergentes e espírito crítico", defende. "Essa formação é muito mais importante do que ensinar o aluno a ler a tabela periódica."
Soninha abordou ainda outros temas relacionados à juventude e à cultura, geração de emprego e renda, esporte, lazer, violência, drogas e educação sexual.
Na questão do emprego, a vereadora lamenta que a situação econômica do país obrigue os jovens a entrarem cada vez mais cedo no mercado de trabalho, quando o ideal seria o oposto.
Neste sentido, a Cultura é "um antídoto contra o crime e a violência". Soninha entende que as políticas públicas nesta área têm um papel importante ao permitir que os jovens possam usufuir de seus direitos e liberdades de consumir ou produzir o bem cultural, descobrir os seus talentos e ter prazer.
"É fundamental oferecer oportunidades para que as pessoas usufruam de ir ao circo, ao cinema, à dança, ao esporte, que tenham condições para isso", afirma. "E que o melhor exemplo em uma comunidade seja, por exemplo, o melhor no basquete de rua e não aquele que toca o terror na quebrada."
Soninha também falou sobre a falta de credibilidade na política e nos políticos. "Não são apenas os jovens, mas a população em geral que tem toneladas de motivos para estar de saco cheio da política", opina. "Os jovens ao menos ainda têm a indignação, agitam e se organizam de alguma forma alternativa, têm a chama para mudar alguma coisa na sociedade, então precisamos tornar a política convidativa para esses jovens indignados."
Cultura
A visão do ex-secretário de Cultura João Batista de Andrade coincide em vários aspectos com os princípios e valores defendidos por Soninha Francine.
"O Estado precisa incentivar políticas públicas e desenvolver culturalmente o país sem que ele seja indutor ou interfira politicamente", afirma João Batista. "Devemos pensar no interesse coletivo e atender a sociedade, que exige a interação dos diversos conjuntos da Nação."
Em sua passagem pelo governo, ressalta que foi o primeiro secretário a promover audiências públicas sobre políticas culturais. "Na Secretaria, criamos conselhos em todas as áreas da Cultura para que cada segmento discutisse e definisse as suas prioridades e formas de atuação", afirma. "Implantamos o compartilhamento do poder de decisão para chegarmos à busca do consenso."
Ele conta emocionado do "avanço da mentalidade político-cultural" que presenciou em todo o Estado de São Paulo. "Todo município, por menor que seja, quer ter o seu cinema, a sua escola de música, a sua biblioteca, a sua escola de circo, o seu movimento de hip hop", declara o ex-secretário.
O vereador Dudu Terra, do PPS de São Miguel Arcanjo, deu seu testemunho sobre a importância da intervenção governamental na Cultura. No município paulista com menos de 35 mil habitantes, é motivo de festa encaminhar jovens da cidade a um conservatório musical - para se ter uma idéia de como ações simples ganham enorme repercussão.
"A Cultura gera emprego, é uma grande oportunidade para os jovens, é uma economia crescente", afirma o ex-secretário. "Por isso, eu tenho uma esperança muito grande que essa nossa experiência ajude a disseminar a Cultura e potencializar as ações do PPS."
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Encontro de pré-candidatos do PPS reúne mais de mil na Assembléia
Mais de mil pessoas lotaram os auditórios da Assembléia Legislativa neste sábado (23/2) durante o 1º Encontro Estadual de Pré-candidatos do PPS de São Paulo. Com a presença do governador José Serra, do vice-governador Alberto Goldman, de secretários de Estado, deputados, prefeitos e vereadores, o objetivo do evento foi dar a largada para a campanha eleitoral de 2008, unificar o discurso do partido, compartilhar experiências administrativas e estabelecer diretrizes de políticas públicas com a cara do PPS.Potenciais candidatos a prefeito e a vereador de centenas de municípios paulistas participaram de um dia inteiro de atividades, com palestras, debates e painéis sobre temas como Segurança, Meio Ambiente, Cultura, Juventude, Desenvolvimento e Legislação Eleitoral.
A iniciativa foi saudada pelo governador José Serra (PSDB), que fez questão de visitar cada um dos cinco painéis que ocorriam simultaneamente em diferentes auditórios da Assembléia. Ele destacou a força do partido em São Paulo e reforçou o desejo de manter uma parceria com o PPS nas eleições de 2008 e 2010.Serra declarou ainda que o partido cumpre um papel fundamental para a democracia e para a cidadania ao mobilizar seus candidatos e debater temas relevantes para o país e para cada município paulista.
Sobre a eleição na Capital, especialmente, Serra declarou que "com toda a certeza, uma candidatura como a da vereadora Soninha Francine à Prefeitura de São Paulo ajuda a qualificar o processo eleitoral e o debate sobre a cidade."
Participação suprapartidária
Além do governador e do vice, ambos do PSDB, o encontro do PPS reuniu lideranças de outros partidos, como a deputada federal Luiza Erundina (PSB), o ex-secretário do Meio Ambiente Fábio Feldman (PV) e os atuais secretários estaduais da Habitação, Lair Krähenbühl, e da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.Do PPS participaram, entre outros, o presidente nacional Roberto Freire, os deputados estaduais Davi Zaia (presidente do partido em São Paulo), Roberto Morais (líder da bancada na Assembléia) e Vitor Sapienza; e os deputados federais Arnaldo Jardim (vice-líder da bancada na Câmara) e Dimas Ramalho (secretário de Serviços da Cidade de São Paulo).
Veja aqui a cobertura completa do evento:
Serra classifica encontro de pré-candidatos do PPS como "invejável"
Roberto Freire: "Um partido decente que vai melhorar a vida da gente"
Arnaldo Jardim: "Priorizar metas para conquistar corações e mentes"
Juventude e Cultura: ações com a marca do PPS em São Paulo
Painel sobre Educação discute período integral para ensino básico
Preocupação ambiental deve permear ações públicas nos municípios
Deu na Folha: "PPS sinaliza eventual aliança com PSDB para 2010"
Luiza Eundina é rifada pelo PSB e se aproxima do PPS
Apoio à pré-candidatura de Soninha ganha contorno suprapartidário
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
PPS/SP promove encontro de pré-candidatos no sábado, 23/2
O Diretório Estadual do PPS/SP promove neste sábado, dia 23 de fevereiro de 2008, um grande Encontro dos Pré-candidatos de todos os municípios paulistas, na Assembléia Legislativa, para unificar o discurso do partido, compartilhar experiências administrativas e estabelecer diretrizes de políticas públicas com a cara do PPS.Será um dia inteiro de atividades, com palestras, debates e painéis temáticos, reunindo os potenciais candidatos do PPS com especialistas em cada tema, além dos parlamentares do partido, prefeitos, secretários de Estado e até o governador José Serra (PSDB).
Veja a seguir a programação completa do evento:
8h30 às 9h30 - Credenciamento
9h30 - Auditório Franco Montoro - Abertura com o deputado Davi Zaia, presidente estadual do PPS/SP, e as autoridades presentes.
10h às 11h30 - Auditório Franco Montoro
Painel sobre Educação, sob a coordenação do deputado federal Arnaldo Jardim (PPS), com a presença da professora Maria Helena Guimarães de Castro, secretária estadual da Educação; Carlos Henrique Brito da Cruz, diretor da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e ex-reitor da Unicamp; Pollyana Gama, professora e vereadora do PPS de Taubaté; e Juan Manoel Pons Garcia (PPS), prefeito de São Sebastião.
11h30 às 13h - Ocorrerão cinco painéis simultâneos, nos auditórios do 1º andar da Assembléia:
1) Legislação e Marketing Eleitoral - Auditório Teotônio Vilela
Com a participação de Orjan Olsen, diretor-executivo do Instituto Ipsos-Opinion, e do cientista político Antonio de Pádua Prado Júnior (Paeco), ambos especialistas em pesquisas de opinião e marketing político; e da advogada Fátima Nieto, especialista na legislação eleitoral.
2) Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - Auditório D. Pedro I
Com o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente em São Paulo, Eduardo Jorge; e os prefeitos de Jaboticabal, José Carlos Hori, e de São José do Rio Preto, Edinho Araújo, ambos do PPS.
3) Gestão Pública e Governança Local - Auditório Franco Montoro
Sob a coordenação do deputado estadual Vitor Sapienza (PPS), com a deputada federal e ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina (PSB); o urbanista e subprefeito da Casa Verde, Marcos Gadelho; o secretário de Saúde e ex-secretário de Gestão da Cidade de São Paulo, Januário Montone; e o prefeito de Araras, Luiz Carlos Meneghetti (PPS).
4) Cultura, Juventude e Lazer - Auditório José Bonifácio
Com a participação da vereadora Soninha Francine (PPS), pré-candidata à Prefeitura de São Paulo; do cineasta e ex-secretário estadual da Cultura, João Batista de Andrade; do deputado estadual Alex Manente (PPS), pré-candidato à Prefeitura de São Bernardo do Campo; e do vereador Dudu Terra, do PPS de São Miguel Arcanjo.
5) Segurança Pública e Direitos Humanos - Auditório Tiradentes
Com o ex-deputado Orlando Fantazini, pré-candidato do PPS à Prefeitura de Guarulhos; e o promotor e deputado federal Dimas Ramalho (PPS).
13h00 às 14h30 - Pausa para o almoço (por R$ 15,00 no restaurante da Assembléia)
14h30 às 16h - Auditório Franco Montoro
Painel sobre Desenvolvimento Social e Urbano, com a participação do secretário estadual da Habitação, Lair Krähenbühl; do prefeito de São Sebastião da Grama, Emilio Bizon (PPS); e do deputado federal Dimas Ramalho, que é também Secretário de Serviços da Cidade de São Paulo.
16h - Encerramento com o pronunciamento do presidente nacional do PPS, Roberto Freire.
Reveja aqui também como foi o 1º Encontro de Pré-candidatos realizado pelo PPS paulistano, em novembro de 2007.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Assista a inserção na TV de Orlando Fantazini, do PPS de Guarulhos
Assista aqui a inserção publicitária na TV do pré-candidato do PPS à Prefeitura de Guarulhos, Orlando Fantazini.
Orlando Fantazzini Neto, 49 anos, é advogado. Foi vereador em Guarulhos de 1989 a 2000, quando assumiu pela primeira vez um mandato de deputado federal.
Em 2003 foi reeleito deputado federal e em 2005 trocou o Partido dos Trabalhadores, ao qual era filiado desde 1987, pelo PSOL, sigla com a qual não conseguiu a reeleição em 2006, ficando como primeiro suplente.
Na Câmara presidiu a Comissão de Direitos Humanos e deu início à campanha contra o baixo nível da programação de televisão: "Quem financia a baixaria é contra a cidadania."
Filiou-se ao PPS no dia 4 de outubro do ano passado.
Reveja abaixo a entrevista publicada no Portal do PPS no dia da filiação.
Portal do PPS - Por que o senhor escolheu o PPS depois de ser quadro do PT desde 1987 e fundar o Psol?
Orlando Fantazini - Olha, venho mantendo vínculo com o PPS há sete anos. Ajudei na estruturação do partido em Guarulhos, em 2000. Já tinha convite do PPS para que eu disputasse a prefeitura [de Guaraulhos], mas insisti na disputa interna do PT. Depois, com o desencanto com o PT, em razão de o governo Lula não cumprir com os compromissos assumidos com a classe trabalhadora, não tinha mais porque permanecer no partido. Por esse motivo fundamos o PSol, que acredito é um partido para o futuro, a ser construído ainda. Te confesso que não tenho mais estrutura para recomeçar e refundar um novo partido. Então, aceitei o convite e me filiei ao PPS, que é um partido estruturado e socialista, um partido que tem sinalizado fortemente compromissos com a sociedade na contraposição das iniciativas do governo Lula que estão na contramão dos interesses do país.
Portal - O senhor não acha que o PT traiu os seus ideais ao chegar ao poder com Lula?
Fantazini - Não vou dizer que foi o PT, mas a direção partidária. Aqueles que dirigem o partido, que tem maioria nas instâncias decisórias, acabaram enveredando para um caminho que não era aquele construído ao longo dos anos com muita luta e sacrifícios. Acabaram optando para o caminho mais fácil. Digo sempre que existem duas formas de atravessar uma rodovia: correndo para chegar do outro lado enfrentando grande risco [de morte] e a outra atravessando seguramente pela passarela, que dá mais trabalho porque se tem de andar mais. E o PT escolheu a primeira alternativa, colocando em risco não só o partido, mas também toda a sociedade brasileira. Acredito que isso é uma grande irresponsabilidade [da direção partidária].
Portal - Como pré-candidato a prefeito de Guarulhos, quais são seus planos para governar a cidade?
Fantazini - Para se administrar uma cidade é preciso levar em conta, em primeiro lugar, os interesses da sua população. O que não pode ser levado em consideração são os interesses exclusivos de grupos econômicos e políticos. É preciso considerar o conjunto da cidade, que são seus moradores. Todos administradores que passaram por Guarulhos só se preocuparam em garantir o que chamo de perfumaria, ou seja, fazer as obrinhas bonitinhas para ganhar voto sem, no entanto, investir na melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes. [O resultado é que] o IDH (Índice de Desenvolvimento Urbano) é muito baixo. O atual prefeito [Elói Pietá (PT)]fez várias escolas, pintou elas de vermelho, distribuiu mochilas e uniformes para as crianças mas, entretanto, a avaliação do MEC (Ministério da Educação) aponta que o ensino em Guarulhos é um dos piores do Brasil. Mais importante do que fazer pirotecnia é dar condições dignas para a população. Então, o que nos pretendemos fazer é garantir melhor qualidade de vida e participação efetiva e democrática, sem contudo perseguir os que se opõe a administração como faz hoje o atual prefeito por meio de sanções e penalidades. Democracia não é isso porque as pessoas tem o direito de discordar e de dizer que não apóiam determinas iniciativas. O que nós pretendemos é resgatar a dignidade do povo guarulhense pela inversão da lógica da pirotecnia e do bombardeio da propaganda [do governo], que dá apenas a sensação de que tudo vai bem no município.
Portal - O senhor já tem um raio X dos problemas que a cidade enfrenta?
Fantazini - Sim. Apesar de Guarulhos ser a 13ª economia do país, a cidade não tem um metro cúbico de esgoto tratado. Quem mais polui o rio Tietê hoje é a cidade de Guarulhos. A população paga 80% do consumo de água de taxa de esgoto para poluir nossos córregos, nascentes e o Tietê. Queremos implementar um projeto de saneamento básico porque a melhoria dessa estrutura irá reduzir a incidência de doenças. Guarulhos também é um caos quando o assunto é saúde. As pessoas as vezes tem de aguardar um ano para fazer um exame. As mulheres sofrem muito com essa demora. Quando fazem o exame e descobrem algum tumor, ele já não é mais reversível. É uma situação preocupante. Outros pontos que queremos atacar é a exploração sexual infantil e o trabalho infantil que hoje existem vergonhosamente no centro da cidade; a violência e o transporte público. As concessionárias de transporte da cidade são as mesmas há décadas e não oferecem um serviço de qualidade. Temos também de fazer o debate sobre o meio ambiente, porque os lixões estão saturados e precisamos buscar saídas que não podem sair da cabeça de apenas uma pessoa. Tem de ser um amplo debate com a sociedade de forma democrática e transparente. A sociedade precisa participar ativamente dessas decisões.
Portal - Além da sociedade, o senhor quer atrair quais partidos para levar adiante este projeto?
Fantazini - Uma das coisas que me deixou muito feliz quando assinei a ficha de filiação no PPS, foi presença de representantes de vários partidos da cidade nesse ato. Aproveitei a oportunidade para convidar todos a se juntarem a nós com o objetivo de fazermos um programa de governo que contemple todos os aspectos que envolvem a administração. Mesmo nos partidos que terão candidatos próprios a prefeitura encontrei sinalizações favoráveis a nossa proposta. Se a disputa se resumir unicamente em quem vai ocupar a cadeira de prefeito, por certo iremos favorecer o partido que governa a cidade. É aquela velha máxima: “dividir para governar” ainda funciona. As oposições terão de se unir na perspectiva da construção de um programa em que a cidade é o objetivo central. As nossas disputas não devem estar focadas nas minúcias programáticas, mas sim naquilo que é ruim para a cidade, que são os oito anos da administração de um mesmo partido. Mesmo tendo conseguido a reeleição no primeiro turno [em 2004], o atual prefeito assumiu uma postura extremamente autoritária que é incompatível com o momento que vivemos neste século.
Portal - Qual a avaliação que o senhor faz da administração do prefeito Elói Pietá?
Fantazini - Se comparada as anteriores pode ser considerada de regular para medíocre. Entretanto, uma administração não pode ser comprada com o que existiu de pior. Mas pelo que teve de melhor. São muitas obras e ninguém discute o custo, que é outro problema. Quando se constrói prédios públicos você tem que fazer a relação custo-benefício. A administração gasta mais com propaganda do que nas áreas que poderiam beneficiar a população. Considerando todos esses aspectos, volto a repetir, é um governo de regular para medíocre, porque não leva em conta os interesses da população.
Portal - O viés autoritário do governo impede que a população seja ouvida, é isso?
Fantazini - A população é ouvida na elaboração do chamado Orçamento Participativo, mas a decisão final é do prefeito. Há apenas a sensação de participação sem que isso signifique participação efetiva. Já os partidos que se colocam contrários numa votação [na Câmara de Vereadores] são retaliados de forma a ficar claro quem manda na cidade. Esse tipo de comportamento não ajuda a democracia e o desenvolvimento. Temos de romper com esse processo porque os agentes políticos são representantes da vontade do povo. Se perdemos de vista o fato de que ao assumirmos o mandato estamos representando vontade de terceiros, corremos o risco de reforçar idéias e valores que no passado trouxeram grandes prejuízos à humanidade, como [Adolf] Hitler tentando dominar a Europa. Então, não podemos aceitar nem o fascismo da direita e nem o stalinismo da esquerda. Temos que construir uma via democrática.
Portal - A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a fidelidade partidária irá moralizar o troca-troca de legendas na sua opinião?
Fantazini - A fidelidade partidária para mim é uma via de mão dupla. O mandato tem de ser do partido porque ninguém se elege só. Quando nos elegemos – e agora uso meu exemplo por ter deixado o PT – conquistamos o mandato com um programa. Fui a minha base dizer que se nós ganhássemos iríamos fazer a reforma agrária, acabar com o privilégio dos banqueiros. Esse foi o discurso e por isso foi eleito, porque os eleitores acreditaram em mim e que o meu partido, chegando ao poder, iria implementar o que defendíamos na campanha. Se o meu partido no poder tivesse implementando essas ações e eu o deixasse, deveria perder o mandato. Porém, a outra mão da via é o partido dizer que não vai fazer nada daquilo que prometeu e você, como deputado eleito pela legenda, ser obrigado a concordar com isso. Nesse aspecto o parlamentar não deve nenhuma fidelidade a essa postura do partido. A decisão do STF foi extremamente importante e o PPS cumpriu um papel relevante nesta questão ao propor o mandado de segurança que originou o entendimento que o mandato proporcional [de deputados federais, estaduais e de vereadores] pertence ao partido e não ao eleito. Se perdemos de vista que os mandatos são dos partidos, não precisaríamos mais deles. O partido é fundamental. Não existe democracia sem partido político.
Portal - O fim da CPMF comprometeria os programas sociais, como alega o governo?
Fantazini - Isso é uma grande chantagem do governo Lula. No meu primeiro mandato [como deputado federal do PT] fazia oposição ao governo FHC e o partido era radicalmente contra a CPMF. Argumentávamos que o tributo era uma balela, uma forma de engordar o caixa do governo e que o dinheiro arrecadado não ia para a saúde, mas para pagar a dívida externa... Mas quando o PT chegou ao poder a CPMF ficou extremamente importante, e agora o governo Lula chantageia com todo tipo de argumentos, de que se não for prorrogada o Bolsa-Família vai acabar, por exemplo. Sou contra a continuidade da CPMF no aspecto tributário, embora entenda que é importante como instrumento para fiscalizar os sonegadores. Precisamos fazer a reforma tributária porque nem o empresariado e nem a população agüentam pagar tantos impostos. Outra coisa é parar com a farra que se faz com dinheiro público. Parece que aqueles que no passado denunciavam as mazelas aprenderam a praticá-las.
Orlando Fantazzini Neto, 49 anos, é advogado. Foi vereador em Guarulhos de 1989 a 2000, quando assumiu pela primeira vez um mandato de deputado federal.
Em 2003 foi reeleito deputado federal e em 2005 trocou o Partido dos Trabalhadores, ao qual era filiado desde 1987, pelo PSOL, sigla com a qual não conseguiu a reeleição em 2006, ficando como primeiro suplente.
Na Câmara presidiu a Comissão de Direitos Humanos e deu início à campanha contra o baixo nível da programação de televisão: "Quem financia a baixaria é contra a cidadania."
Filiou-se ao PPS no dia 4 de outubro do ano passado.
Reveja abaixo a entrevista publicada no Portal do PPS no dia da filiação.
Portal do PPS - Por que o senhor escolheu o PPS depois de ser quadro do PT desde 1987 e fundar o Psol?
Orlando Fantazini - Olha, venho mantendo vínculo com o PPS há sete anos. Ajudei na estruturação do partido em Guarulhos, em 2000. Já tinha convite do PPS para que eu disputasse a prefeitura [de Guaraulhos], mas insisti na disputa interna do PT. Depois, com o desencanto com o PT, em razão de o governo Lula não cumprir com os compromissos assumidos com a classe trabalhadora, não tinha mais porque permanecer no partido. Por esse motivo fundamos o PSol, que acredito é um partido para o futuro, a ser construído ainda. Te confesso que não tenho mais estrutura para recomeçar e refundar um novo partido. Então, aceitei o convite e me filiei ao PPS, que é um partido estruturado e socialista, um partido que tem sinalizado fortemente compromissos com a sociedade na contraposição das iniciativas do governo Lula que estão na contramão dos interesses do país.
Portal - O senhor não acha que o PT traiu os seus ideais ao chegar ao poder com Lula?
Fantazini - Não vou dizer que foi o PT, mas a direção partidária. Aqueles que dirigem o partido, que tem maioria nas instâncias decisórias, acabaram enveredando para um caminho que não era aquele construído ao longo dos anos com muita luta e sacrifícios. Acabaram optando para o caminho mais fácil. Digo sempre que existem duas formas de atravessar uma rodovia: correndo para chegar do outro lado enfrentando grande risco [de morte] e a outra atravessando seguramente pela passarela, que dá mais trabalho porque se tem de andar mais. E o PT escolheu a primeira alternativa, colocando em risco não só o partido, mas também toda a sociedade brasileira. Acredito que isso é uma grande irresponsabilidade [da direção partidária].
Portal - Como pré-candidato a prefeito de Guarulhos, quais são seus planos para governar a cidade?
Fantazini - Para se administrar uma cidade é preciso levar em conta, em primeiro lugar, os interesses da sua população. O que não pode ser levado em consideração são os interesses exclusivos de grupos econômicos e políticos. É preciso considerar o conjunto da cidade, que são seus moradores. Todos administradores que passaram por Guarulhos só se preocuparam em garantir o que chamo de perfumaria, ou seja, fazer as obrinhas bonitinhas para ganhar voto sem, no entanto, investir na melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes. [O resultado é que] o IDH (Índice de Desenvolvimento Urbano) é muito baixo. O atual prefeito [Elói Pietá (PT)]fez várias escolas, pintou elas de vermelho, distribuiu mochilas e uniformes para as crianças mas, entretanto, a avaliação do MEC (Ministério da Educação) aponta que o ensino em Guarulhos é um dos piores do Brasil. Mais importante do que fazer pirotecnia é dar condições dignas para a população. Então, o que nos pretendemos fazer é garantir melhor qualidade de vida e participação efetiva e democrática, sem contudo perseguir os que se opõe a administração como faz hoje o atual prefeito por meio de sanções e penalidades. Democracia não é isso porque as pessoas tem o direito de discordar e de dizer que não apóiam determinas iniciativas. O que nós pretendemos é resgatar a dignidade do povo guarulhense pela inversão da lógica da pirotecnia e do bombardeio da propaganda [do governo], que dá apenas a sensação de que tudo vai bem no município.
Portal - O senhor já tem um raio X dos problemas que a cidade enfrenta?
Fantazini - Sim. Apesar de Guarulhos ser a 13ª economia do país, a cidade não tem um metro cúbico de esgoto tratado. Quem mais polui o rio Tietê hoje é a cidade de Guarulhos. A população paga 80% do consumo de água de taxa de esgoto para poluir nossos córregos, nascentes e o Tietê. Queremos implementar um projeto de saneamento básico porque a melhoria dessa estrutura irá reduzir a incidência de doenças. Guarulhos também é um caos quando o assunto é saúde. As pessoas as vezes tem de aguardar um ano para fazer um exame. As mulheres sofrem muito com essa demora. Quando fazem o exame e descobrem algum tumor, ele já não é mais reversível. É uma situação preocupante. Outros pontos que queremos atacar é a exploração sexual infantil e o trabalho infantil que hoje existem vergonhosamente no centro da cidade; a violência e o transporte público. As concessionárias de transporte da cidade são as mesmas há décadas e não oferecem um serviço de qualidade. Temos também de fazer o debate sobre o meio ambiente, porque os lixões estão saturados e precisamos buscar saídas que não podem sair da cabeça de apenas uma pessoa. Tem de ser um amplo debate com a sociedade de forma democrática e transparente. A sociedade precisa participar ativamente dessas decisões.
Portal - Além da sociedade, o senhor quer atrair quais partidos para levar adiante este projeto?
Fantazini - Uma das coisas que me deixou muito feliz quando assinei a ficha de filiação no PPS, foi presença de representantes de vários partidos da cidade nesse ato. Aproveitei a oportunidade para convidar todos a se juntarem a nós com o objetivo de fazermos um programa de governo que contemple todos os aspectos que envolvem a administração. Mesmo nos partidos que terão candidatos próprios a prefeitura encontrei sinalizações favoráveis a nossa proposta. Se a disputa se resumir unicamente em quem vai ocupar a cadeira de prefeito, por certo iremos favorecer o partido que governa a cidade. É aquela velha máxima: “dividir para governar” ainda funciona. As oposições terão de se unir na perspectiva da construção de um programa em que a cidade é o objetivo central. As nossas disputas não devem estar focadas nas minúcias programáticas, mas sim naquilo que é ruim para a cidade, que são os oito anos da administração de um mesmo partido. Mesmo tendo conseguido a reeleição no primeiro turno [em 2004], o atual prefeito assumiu uma postura extremamente autoritária que é incompatível com o momento que vivemos neste século.
Portal - Qual a avaliação que o senhor faz da administração do prefeito Elói Pietá?
Fantazini - Se comparada as anteriores pode ser considerada de regular para medíocre. Entretanto, uma administração não pode ser comprada com o que existiu de pior. Mas pelo que teve de melhor. São muitas obras e ninguém discute o custo, que é outro problema. Quando se constrói prédios públicos você tem que fazer a relação custo-benefício. A administração gasta mais com propaganda do que nas áreas que poderiam beneficiar a população. Considerando todos esses aspectos, volto a repetir, é um governo de regular para medíocre, porque não leva em conta os interesses da população.
Portal - O viés autoritário do governo impede que a população seja ouvida, é isso?
Fantazini - A população é ouvida na elaboração do chamado Orçamento Participativo, mas a decisão final é do prefeito. Há apenas a sensação de participação sem que isso signifique participação efetiva. Já os partidos que se colocam contrários numa votação [na Câmara de Vereadores] são retaliados de forma a ficar claro quem manda na cidade. Esse tipo de comportamento não ajuda a democracia e o desenvolvimento. Temos de romper com esse processo porque os agentes políticos são representantes da vontade do povo. Se perdemos de vista o fato de que ao assumirmos o mandato estamos representando vontade de terceiros, corremos o risco de reforçar idéias e valores que no passado trouxeram grandes prejuízos à humanidade, como [Adolf] Hitler tentando dominar a Europa. Então, não podemos aceitar nem o fascismo da direita e nem o stalinismo da esquerda. Temos que construir uma via democrática.
Portal - A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a fidelidade partidária irá moralizar o troca-troca de legendas na sua opinião?
Fantazini - A fidelidade partidária para mim é uma via de mão dupla. O mandato tem de ser do partido porque ninguém se elege só. Quando nos elegemos – e agora uso meu exemplo por ter deixado o PT – conquistamos o mandato com um programa. Fui a minha base dizer que se nós ganhássemos iríamos fazer a reforma agrária, acabar com o privilégio dos banqueiros. Esse foi o discurso e por isso foi eleito, porque os eleitores acreditaram em mim e que o meu partido, chegando ao poder, iria implementar o que defendíamos na campanha. Se o meu partido no poder tivesse implementando essas ações e eu o deixasse, deveria perder o mandato. Porém, a outra mão da via é o partido dizer que não vai fazer nada daquilo que prometeu e você, como deputado eleito pela legenda, ser obrigado a concordar com isso. Nesse aspecto o parlamentar não deve nenhuma fidelidade a essa postura do partido. A decisão do STF foi extremamente importante e o PPS cumpriu um papel relevante nesta questão ao propor o mandado de segurança que originou o entendimento que o mandato proporcional [de deputados federais, estaduais e de vereadores] pertence ao partido e não ao eleito. Se perdemos de vista que os mandatos são dos partidos, não precisaríamos mais deles. O partido é fundamental. Não existe democracia sem partido político.
Portal - O fim da CPMF comprometeria os programas sociais, como alega o governo?
Fantazini - Isso é uma grande chantagem do governo Lula. No meu primeiro mandato [como deputado federal do PT] fazia oposição ao governo FHC e o partido era radicalmente contra a CPMF. Argumentávamos que o tributo era uma balela, uma forma de engordar o caixa do governo e que o dinheiro arrecadado não ia para a saúde, mas para pagar a dívida externa... Mas quando o PT chegou ao poder a CPMF ficou extremamente importante, e agora o governo Lula chantageia com todo tipo de argumentos, de que se não for prorrogada o Bolsa-Família vai acabar, por exemplo. Sou contra a continuidade da CPMF no aspecto tributário, embora entenda que é importante como instrumento para fiscalizar os sonegadores. Precisamos fazer a reforma tributária porque nem o empresariado e nem a população agüentam pagar tantos impostos. Outra coisa é parar com a farra que se faz com dinheiro público. Parece que aqueles que no passado denunciavam as mazelas aprenderam a praticá-las.
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